Nestes tempos escuros que estamos a atravessar, já poucas
coisas me espantam, mas hoje senti algo entre a revolta e o nojo, o desprezo e
o ódio quando assisti ao triste espectáculo dado por António Sala à porta da 4ª
vara Criminal de Lisboa, no âmbito do julgamento de Vale e Azevedo.
Entre sorrisos
inchados por ter tantos jornalistas à volta, Sala lá foi dizendo que não sabia
de nada, nunca soube de nada, nunca desconfiou de coisa alguma.
Afinal, ele era apenas o “homem da cultura” e portanto das
contas, das trapalhadas e das vigarices de Vale e Azevedo nunca soube de nada,
se bem que perspicaz como sempre, no fim achava que tudo aquilo era talvez um pouco
estranho.
Pela leitura de jornais on-line, vim a saber que também
Capristano alinhou pelo mesmo diapasão: nunca soube, nunca desconfiou porque
confiava no presidente.
Ilimitadamente.
Repito, porque pode haver dúvidas: confiança ilimitada,
total e absoluta em Vale e Azevedo.
Capristano assegura mesmo que Vale lhe provocou um grande
desgosto, o que, de resto, não deixa de me partir o coração.
O enorme Sala vai, contudo, mais longe e pede agora prisão
ou castigo para quem infringiu a lei, esquecendo-se esta personagem popularucha
da rádio, TV, disco e cassete pirata que tão ladrão é o que vai à vinha como o
que fica a guardar.
Sala, Capristano e outros crápulas guardaram, calaram e
consentiram durante todo o tempo.
Tempo demais que quase significava o fim do nosso clube.
São assim os criminosos do Benfica: tal como os nazis no
julgamento de Nuremberga, de nada sabiam, de nada desconfiavam, nada
questionavam.
Limitavam-se a cumprir ordens, quais zelosos amanuenses.
Uns do Führer, outros de Vale e Azevedo.
Pobres e incautos inocentes, todos, obviamente.
RC