N

Neste blog por vezes escreve-se segundo a nova ortografia, outras vezes nem por isso.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

LANÇAR O BARRO À PAREDE


Neste caso é mais lançar a trampa. Corre o boato que o árbitro do Benfica-Porto será o Artur Soares Dias. Esse mesmo, o que na época passada nos deu a estocada final em Alvalade. Nesse jogo a exibição do Benfica foi tão má que a descarada actuação do árbitro do Porto quase passou despercebida. Claro que também contribuíram a tradicional tendência benfiquista para a autoflagelação e um certo ambiente de forte decepção devido ao pássaro que tivemos na mão e que de repente largámos.
O Proença já fez tantas que entraria em campo completamente condicionado. Por si só já não garantiria o resultado. O Benfica está forte e moralizado, o sistema tem de colocar alguém de confiança. Artur Soares Dias mostrou em Alvalade que sabe trabalhar. Como passou incólume aos olhos da opinião pública ainda dá para mais umas voltinhas.    
JL

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

ANO NOVO, VÍCIOS VELHOS


A todo-poderosa LPFP confirmou finalmente a hora do próximo Benfica-Porto: 20.15.
Um domingo de inverno às 20.15:  o que mais se pode fazer para afastar as pessoas dos estádios?
A Luz encherá, obviamente: trata-se do jogo mais aguardado da época, mas penso sobretudo, nos milhares de benfiquistas de outras zonas do país, cuja vinda a Lisboa significará inevitavelmente a chegada a casa a altas horas da madrugada.
É assim o futebol em Portugal:uma organização parasitária que não está ao serviço dos adeptos.
Ao invés, serve clientelas, interesses, negócios quase sempre pouco claros.

A quem interessará este estado de coisas, posso calcular; sobre quando terminará este completo absurdo é que não faço a menor ideia.
Por mim lá estarei à hora marcada pelas eminências pardas que mandam e desmandam neste desgraçado futebol, ansiando, contudo, pelo dia cada vez mais próximo (assim o espero!) em que nos veremos livres de toda esta corja que nos suga e que lentamente foi afastando o público dos estádios, matando aos poucos a festa do povo.



RC

O CASO DE FORÇA MAIOR

Interessante é o mínimo que só pode dizer do escrito hoje no jornal A Bola por Bagão Félix sobre o adiamento do Vitória de Setúbal – Porto. Segundo o conhecido benfiquista, pela legislação em vigor (cita número 1 do artigo 22º e os números 2 e 3 do artigo 19º do regulamento de Competições), o jogo teria de ser repetido necessariamente até ao 12 de janeiro, exceto em caso de força maior. Não se conseguindo descortinar as razões de força maior que levam a este atropelo dos regulamentos, até devido à quantidade de dias que uns e outros estão sem jogar entre o último jogo da Taça da Liga e o próximo do campeonato, parece-me que estamos perante mais um caso claro de ilegalidade. Nada que não seja comum aos protagonistas em causa.

JL

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

NÃO SABEM O QUE PERDEM

Nos "Cuardenos de Valdano” menciona-se uma sepultura de um adepto do Nápoles, que fazendo referencia à gloriosa época do “enorme” Maradona, tem escrito: "Taça UEFA e dois Campeonatos. Vocês não sabem o que perderam". É o que me apetece dizer a quem tem ficado em casa nos últimos jogos na Luz: “Não sabem o que perdem”
Hoje o Benfica deu espectáculo. Podem vir falar na diferença física, técnica e táctica entre as duas equipas, e é verdade, é abismal, mas qualquer outra equipa do nosso futebolzinho tinha gerido o jogo sem se cansar muito, adormecendo e desrespeitando todos aqueles que, numa noite fria, se deram ao trabalho de se deslocaram ao estádio.  
O Benfica foi o oposto. Mantendo sempre a alta rotação, brindou-nos com um espectáculo futebolístico só possível porque tem nos seus quadros alguns dos mais virtuosos jogadores que jogam em Portugal. Se fosse sempre assim.  
JL

MISSÃO BENFICA: E O LADO LUNAR?

Lido o livro de Luís Miguel Pereira, fica uma certeza, sorte a nossa por um punhado de homens terem dado a cara e decidido defrontar Vale e Azevedo nas urnas. Mesmo com os seus defeitos e fraquezas, divisões e equívocos, tiraram o Benfica de uma situação complicada. Ler o livro é também importante para recordarmos isso, que a massa associativa, a grande heroína desta aventura centenária chamada Benfica, teve a certa altura a sabedoria suficiente para dar a volta a uma situação que caminhava para a tragédia.  
É bom ler este livro. De escrita escorreita, factual e, do que pareceu, razoavelmente rigorosa. Alguns pormenores não resistem às falhas da memória dos protagonistas (na Assembleia Geral para a construção do novo estádio, o voto foi secreto e em urna e não por braço no ar como se diz no livro) e a alguma apetência para adornar ligeiramente os actos do protagonista (a compra do Garay não foi exactamente como se descreve), mas são casos muito pontuais e compreensíveis.
Da leitura, agradável, percebe-se que ser Presidente do Benfica sai literalmente do corpo, que Luís Filipe Vieira encetou um reestruturação do clube que vai ser decisiva para o seu futuro e que estamos perante uma pessoa impar, que não se pode separar das suas idiossincrasias e que vai ficar na história do clube, pelas melhores razões.  
Mas não chega, porque nestes últimos 10 anos nem tudo correu bem. Não há por exemplo referência às relações (ou o corte delas) com Pinto da Costa, que tanto influenciou a acção da presidência, nem de outros inimigos que foi coleccionando e pouco se fala de concreto dos equívocos e das opções erradas, que muito contribuíram para algum insucesso desportivo.  
Claro que não se podia esperar outra coisa de um livro que tem um propósito bem definido e que não podemos criticar, mas é exagerado a narrativa estar enquadrada por um sebastianismo que já não se usa, demasiadamente focalizada na figura do homem providencial, um poço de virtudes quase infinitas. Esta visão messiânica de Luís Filipe Vieira contraria o ADN do clube e quase estraga o Livro. Mesmo assim, para quem pensa o Benfica, é de leitura obrigatória.


JL

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O CAPITÃO E O 3º ANEL



Um grande derby, um enorme capitão e uma saudade imensa daquele imponente-esmagador-aterrador 3º anel.

E já agora, ganhamos 2-1.
Chalana e Vitor Martins fizeram os golos de um jogo que marcou a reviravolta de um campeonato épico (1976-1977) que ficaria na história.








RC

FRASES QUE FICARAM DO ANO QUE JÁ LÁ VAI


Algumas convirá recordar e outras não esquecer.
Não há qualquer ordem cronológica: trata-se apenas de uma navegação ao sabor de algumas boas e más recordações deixadas por 2012.

Nota: O facto de não constar qualquer frase relacionada com o clube dos viscondes falidos não é mera coincidência: essa anedota nacional chamada Sporting justifica por si só um post exclusivo.
Lá iremos em breve.



“Se o árbitro assistente não assinalou, não foi porque não viu, foi porque não quis.”
 Jorge Jesus sobre o 3º golo do Porto no jogo da Luz em Abril


“Quero que saibam todos os benfiquistas que vou levar a águia no coração. Tentei representar o Benfica com todo o amor e força do mundo durante as três épocas. Deixo muitos amigos e uma grande aficion. Benfica vai deixar muitas saudades. Amo-te!”
Javi Garcia na hora da partida para o City


“Zenit é melhor do que o Benfica”
Witsel á chegada a S. Petersburgo


“Fizemos aquilo que queríamos que era vencer o campeonato, o objectivo principal da época e tivemos de receber a taça de campeão nacional no balneário, porque não tivemos condições para a receber dentro do pavilhão”  
Carlos Lisboa após a conquista do titulo de basquetebol no Porto


“É ridículo quando fazem uma proposta de 50 milhões que o FC Porto recusou, e depois vir o conselho de administração dizer que era demais. Parece-me que o Zenit não tem capacidade nem gente no futebol capaz de nos levar o Hulk. Não sei qual é a intenção, não percebo nada de gás..."
(…) Por esse montante [50 milhões], posso garantir que Hulk não sairá nem para o Zenit nem para outro clube. Neste momento, não admito negociar.   “
Pinto da Costa , uma semana antes da venda de Hulk ao Zenit por 40 milhões



“Tinha que me apresentar, mas não sabia qual seria o meu futuro. Fiz toda a pré-temporada mas em nenhum momento falei com o treinador, apesar de ter jogado quatro partidas e ter feito cinco golos. Quando surgiu a possibilidade de jogar no River, não pensei duas vezes “ 
Rodrigo Mora à chegada à Argentina


"Luisinho e Ola John para o campeonato vão dando"
 Jorge Jesus após jogo com jogo com o Gil Vicente       


“Fui honesto e disse que era benfiquista”
Pedro Proença em entrevista ao Record


“Foi uma bola disputada, tentei antecipar-me, toquei na bola e depois houve contacto, não foi uma jogada dura. Não jogo futebol para lesionar ninguém e tento jogar sempre dentro dos limites. Acho que nem fiz falta, pois toquei na bola"
 Bruno Alves comentando a entrada brutal em que lesionou Rodrigo durante o Zenit-Benfica


"Faça um favor e não apite mais nenhum jogo do Benfica"
Luís Filipe Vieira na zona mista após o Benfica-Porto do campeonato passado


"Aquilo que me apetece dizer é que isto foi uma arbitragem vergonhosa! Vergonhosa! Se quiserem encomendar as faixas e levar a outra equipa ao colo, então que a levem!  “
Vítor Pereira após derrota em Barcelos por 3-1 no campeonato passado


RC

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

E 2013 VAI SER ASSIM!...



RC

PEQUENOS SINAIS DE GRANDEZA

No passado Sábado saiu no semanário Expresso, a propósito do encerramento em Março da Maternidade Alfredo da Costa, uma pequena entrevista a Maria José Alves, Chefe de Serviço de Ginecologia-Obstetrícia daquela maternidade. A entrevista focava o facto de hoje à noite nascer o último bebé do ano e que seria a última vez que os holofotes do referido evento estariam dirigidos àquela instituição devido ao seu previsto encerramento.
A certa altura o entrevistador pergunta se o movimento na urgência tem tendência para aumentar na noite de fim de ano. Ao que a entrevistada responde: “O número de mulheres que chegam diminui significativamente em dias festivos ou quando joga o Benfica.”
Para além de ser uma afirmação deveras redundante porque quando o Benfica joga é sempre dia festivo, especialmente quando ganha, revela a influência do maior clube do Mundo, até antes do nascimento.
Desejo um bom ano para todos, cheio de festividades.
JL

domingo, 30 de dezembro de 2012

DECIDIDO NOS PRIMEIROS MINUTOS

A bola saiu do Moreirense que logo a perdeu. O Benfica faz duas ou três triangulações e chega facilmente à área dos da casa. Os jogadores pensam “isto vão ser favas contadas”. Estava decidido o jogo. Não me venha o Jesus falar em cargas e métodos científicos. A primeira parte foi vergonhosa, uma falta de respeito pelos milhares de benfiquistas que se deslocaram ao estádio, muitos deles emigrantes, cuja oportunidade era única para verem jogar o Benfica.
Foi uma pena. Um jogo à tarde, estádio cheio, ambiente de festa e fazem-nos esta desfeita. O Jesus não soube emendar a mão no banco, as substituições foram de uma confusão enorme, era gente lá para frente a granel, fosse o Moreirense um pouco mais forte e o resultado podia ter sido outro.
Mesmo atabalhoado o Benfica acaba por merecer o empate e até podia ter ganho, tivesse jogado sempre de forma honesta. Honestidade é o que não condiz com outros protagonistas do jogo. Primeiro a arbitragem de Cosme Machado, o costume, sempre que era possível, tecnicamente e disciplinarmente, as decisões eram contra o Benfica. Inconcebível não ter marcado falta na trancada que o Enzo levou. Só marcou os penaltis porque foram do tamanho da ponte Vasco da Gama. Segundo aspecto, as inacreditáveis declarações de alguns elementos do Moreirense. Então o treinador, embebedado pelo ponto conseguido e pela estratégia da TVI em arranjar polémica, tem a lata de dizer que só não ganhou porque não os deixaram ganhar? Uns gajos que praticamente só defenderam e que usaram e abusaram do antijogo.
O penalti que dá o golo do empate ao Benfica é indiscutível e ainda é  vermelho directo ao jogador do Moreirense. Para além de puxar o Cardozo, ainda lhe atinge desnecessariamente com um pontapé. A TVI durante o tempo que esteve em directo apenas repetiu o lance três ou quatro vezes. Durante a entrevista ao Octávio Machado nenhuma. Contra os comentários tendenciosos, temos bom remédio, é volume fechado. Quando se trata de manipulação de imagens já é mais difícil actuar. Como é que é possível, tendo oportunidade, um benfiquista trocar o estádio pela TV? Masoquismo?
JL

UM PEDIDO À SAD E OUTRO DE DESCULPAS


Não sejam insensíveis: dêem mais uns dias de férias à rapaziada e deixem o contingente sul-americano ir à pátria mãe encher a pança de picanha, maminha, empanadillas, puchero e grandes churrascadas em geral.
De preferência, tudo bem regado, porque nesta altura o calor aperta no lado de baixo do equador e todos nós somos humanos.
Os rapazes andam cansados e já bem basta estarem longe da família e serem mal pagos.       
Se há jogos para jogar, competições para ganhar e um publico para respeitar, logo se vê: isto é a Tugalândia e não somos propriamente como os maluquinhos dos ingleses que passam a santa quadra natalícia a correr atrás de uma bola, debaixo de chuva, frio e intempéries várias.

Aqui a coisa é para se ir fazendo: tudo com calma porque a rapaziada ainda está com as pernas entorpecidas depois de longas horas passadas à mesa ou em animadas sessões de samba, chorinho, rumba ou tcha-tcha-tcha.

Boas entradas a todos e perguntem lá aos rapazes se lhes causa muito incómodo jogarem no dia 2, ainda a arrotar a lagosta e a Moët & Chandon: é que há uns milhares de tarados que não têm que fazer e compraram bilhetes para o jogo com o Aves.
Dia 2 de Janeiro, onde é que já se viu ???

Obrigado e desculpem o incómodo.


RC

COMO OS MALUCOS

No meu bairro havia um maluco. Penso que há um em cada bairro. Apesar das variações, há coisas em comum. Geralmente não tomam banho e vestem sempre a mesma roupa. E aos malucos tudo se perdoa. Por vezes, durante o Verão, o do meu bairro despia-se, para grande escândalo das senhoras idosas e para gaudio da garotagem. De resto, não era perigoso.
Por vezes, cada vez mais vezes, o Sporting faz-me lembrar o tal maluco. Um pobre coitado que tudo se perdoa. Não vou falar do claro suborno a um fiscal de linha, que isso foi um devaneio próprio da loucura. O tal maluco do meu bairro um dia também partiu um vidro à pedrada. Obviamente que tratando-se de um inimputável, para o proprietário foi como se tratasse de um acaso da natureza. No clube do Lumiar acontece o mesmo. Lê-mos a entrevista no Expresso de ontem de um recente ex-vice-presidente e concluímos que, por questões humanitárias, não podemos responsabilizar aquela gente. A alma de Fellini sobrevive naquele navio.
Hoje mais um episódio. Possivelmente contando com a miopia do presidente da Federação no que diz respeito à saliva, um jogador sportinguista armou-se em Meireles. Não cuspiu para cima, cuspiu de frente, para lagarto ver, em directo e em canal aberto. Cuspiu no Lionn, jogador do Rio-Ave e ao mesmo no Leão, símbolo do clube que lhe paga.  Como o maluco do meu bairro, não vai merecer mais do que um reprovativo abanar de cabeça. É o cúmulo da irrelevância.

JL

PS: Eu pensava que tinha sido péssima a exibição da nossa equipa B, mas depois assisti à parte final do Rio-Ave - Sporting e relativizei a minha opinião.  

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A ENTREVISTA DE RICARDINHO


Na época passada, a culminar uma caminhada algo irregular e com alguns altos e baixos em termos exibicionais, o Benfica acabou por se sagrar campeão nacional de futsal.
Foi uma vitória suada, difícil mas muito saborosa, pouco me interessando se justa ou injusta: naquele momento e naquelas circunstâncias foi fundamental a reconquista do título nacional e ainda para mais frente aos viscondes falidos.

Por algumas peripécias ocorridas na fase final da época e durante o próprio play-off, envolvendo o nosso melhor jogador – Ricardinho – ficou, contudo, uma estranha sensação de que algo não estaria totalmente bem.
Não poucas vezes vimos um Ricardinho muito longe do fulgor de outros tempos e, sobretudo, com os nervos á flor da pele.
Esta entrevista pode, por isso, ajudar a explicar algo.

Independentemente das razões que lhe assistem (ou não…),  Ricardinho toca num ponto que me parece fundamental: existe claramente uma crise de liderança nesta equipa.
Líderes carismáticos como outrora foram André Lima, Pedro Costa ou mesmo mais recentemente Arnaldo, não existem neste momento na equipa de futsal do Benfica.

Talvez essa a razão de algumas derrotas completamente desconcertantes, mas sobretudo, de uma certa sobranceria e algum  laxismo  que se revelam com demasiada frequência.
Tenho saudades da raça de André Lima ou de Pedro Costa e da seriedade com que Arnaldo encarava cada minuto de cada partida.

Obviamente, que ninguém é eterno mas o que se questiona é a pressa com que sobretudo Pedro Costa ou Arnaldo foram despachados, não se tratando de cuidar da sucessão à altura: a mística não pode ser apenas palavra bonita para emoldurar entrevistas de ocasião.
Também a estória da saída de André Lima estará ainda por escrever, mas essas são contas de outro rosário: por agora será talvez tempo de reflectir sobre algumas das afirmações de Ricardinho e com isso tentar emendar o que está menos bem no futsal do Benfica.

RC

O SILÊNCIO DOS INOCENTES

Se me dissessem há uns anos que uma bancada do maior estádio nacional seria incendiado por adeptos rivais durante um dérbi e que a situação tinha sido provocada por declarações incendiárias dos dirigentes desse clube, o mais activo dos quais, está a hoje a contas com a justiça por corrupção, diria que era um caso de uma enorme relevância. Mas parece que não. Passou mais de um ano e o assunto está aparentemente esquecido por todas as instâncias.
O incêndio teve proporções tal que a recuperação do sector e da cobertura teve custos ao nível das centenas de milhares de euros, obrigando a que a bancada ficasse interdita largas semanas, o que impediu que o estádio aproveitasse toda a sua lotação em alguns jogos.
Estando no país do apito dourado e onde dirigentes depositam cheques em contas de árbitros, sem que nada aconteça aos clubes que representam, obviamente que não posso estar admirado com o silêncio oficial das instancias disciplinares do futebol. O que estranho é o silêncio do Benfica.  
Passado mais de um ano, quero acreditar que este silêncio tem um forte enquadramento estratégico e que permitirá ao Sport Lisboa e Benfica ser ressarcido moral e financeiramente das agressões gratuitas que sofreu. Porque, como a mulher de César, mais do que ser inocente, é necessário parece-lo e até agora o longo silêncio de todos apenas beneficiou os infractores.  
JL

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

DE PREVISÕES ESTÁ O INFERNO DA LUZ CHEIO

Para Winston Churchill a arte da previsão consistia em antecipar o que acontecerá, para depois explicar a razão por que não aconteceu. Prever no futebol é a arte do impossível, no entanto não é possível vivê-lo com intensidade sem esse exercício constante, o da impossibilidade, seja em relação ao futuro longínquo do campeonato, seja em relação ao próximo remate à baliza.  

Neste fechar de ano civil com a época a meio e o nosso Benfica a não ver ninguém quando olha na tabela classificativa para cima e para o lado, começamos a sentir aquele nervoso miudinho, derivado do desejo de estarmos todos juntos no Marquês lá para o fim da primavera, numa longa noite de domingo.   

O que esperar desta equipa a partir do que fez até este momento? Eu cá espero muito e se me permitem o despojado optimismo espero estar mesmo no Marquês, de cerveja na mão e lagrima no olho. Mais do que um desejo, esta é a previsão que arrisco e que vou tentar explicar.

Para mim, no dobrar de ano, o Benfica 2012/13 está melhor que o Benfica campeão 2009/10. Não falo em dados concretos, como os golos marcados e sofridos, pontos conseguidos e sucesso nas várias competições. De qualquer forma, na época em que fomos campeões entrámos directamente na Liga Europa e fomos passando adversários até nos calhar o Liverpool. Esta época iniciámos o percurso na Liga dos Campeões - que podemos considerar um relativo insucesso - mas estamos exactamente no mesmo sítio em que estávamos há 3 anos na Liga Europa. A nível nacional as coisas equivalem-se, com a pequena, mas saborosa diferença de ainda estarmos em prova na Taça de Portugal.     

O meu inesperado optimismo tem a ver essencialmente com o futebol que o Benfica pratica, com as opções do plantel e com Jorge Jesus. No que diz respeito ao primeiro ponto posso não ver o rolo compressor de 2009/10, mas vejo uma equipa segura, que estende o seu jogo a toda largura do terreno, que sabe controlar os ritmos do jogo, que entusiasma e dá gosto ver jogar.

Mas a grande vantagem em relação ao ano do título está na riqueza do plantel. Talvez seja resultado da estabilidade directiva e técnica, talvez seja a consequência logica de um trajecto de crescimento do clube, mas temos uma equipa com mais capacidade de resposta que em 2009/10. Vejamos algumas posições.

Na baliza onde agora sentimos uma confiança imensa com Artur Morais, tínhamos o Quim, titularíssimo, com Júlio Cesar e Moreira na Liga Europa e Taça de Portugal. Nas laterais começámos com o Cesar Peixoto (e Sahffer), que ainda fez 15 jogos, e Ruben Amorim, para depois evoluirmos finalmente para Fábio Coentrão e Maxi Pereira. O mesmo Maxi Pereira ainda continua no seu posto e apesar do adaptado Malgarejo não estar ainda ao nível do Coentrão, não tem comprometido e está estável no lugar desde a pré-época.

Há 3 anos tínhamos realmente uma dupla de centrais irrepreensível, Luisão e David Luís.  E que dizer do mesmo Luisão ao lado do certinho Garay, com o cada vez mais constante Jardel para as eventuais falhas? Se bem me lembro o terceiro central no passado era o Sidney ou o Miguel Vítor.

Se este Matic faz esquecer o recém-chegado em 2009 Javi, é daqui para frente que se nota as grandes diferenças entre os dois planteis. Já não temos Di Maria nem Ramires, mas temos nas alas Olá John, Sálvio, Nolito, Enzo Peres… o recuperado Gaitan e ainda…o Bruno “ picanha” Cesar. No miolo não temos tido o Pablito e o Martins como jesus os tinha no seu primeiro ano, mas esperamos por eles em 2013 e temos ainda os “Andrés” (Almeida e Gomes) e estamos a experimentar com sucesso o Enzo e o Gaitan.

Com Nuno Gomes muito pouco utilizado, o titulo 2009/10 assentou fundamentalmente na inesquecível dupla Cardozo e Saviola, os dois numa forma quase irrepetível. Quase, porque esta época Cardozo apareceu com a mesma intensidade e ao lado de Lima ou Rodrigo parece estar reeditar uma sociedade de sucesso. Em resumo: mais opções, mais preparação e ainda uma equipa B disponível.

Por fim, parece-me que Jorge Jesus está melhor treinador. O fracasso por vezes tem destas coisas e o insucesso das duas épocas anteriores, tendo sido essencialmente produto de muitos factores externos ao futebol, tiveram também algum do seu dedo ou mesmo da sua mão. Não sei se é optimismo demais, mas acho mesmo que está melhor. O nível de bazófia baixou, não insiste com tanta cegueira em casos perdidos (Emersson, Roberto) e nota-se alguma destreza no banco quando mexe na equipa, destreza que lhe faltou em momentos chave nos anos anteriores.  

E o que pode estragar esta previsão? Um Porto indiscutivelmente melhor que na época do título. Época em que se vivia ainda a ressaca do apito dourado. Com um Porto, apesar da mediocridade do treinador, a lutar directamente connosco, com um lote de jogadores valiosos, com a federação a jeito e com os Proenças, Soares Dias, Xistras e outros fruteiros bem aquecidos, a previsão pode muito bem sair furada. Mas eles não terão a vida fácil.

JL

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

E O NATAL SERÁ QUANDO JESUS ATINAR E O PROENÇA NÃO ROUBAR...


RC

O PORCO DE NATAL


Crendo-se impune e tranquilo numa quadra em que o tradicional sacrificado é o nobre peru, o porco reapareceu em força.

Primeiro, mostrando novas habilidades, deixando de ser apenas um animal submisso e docilmente habituado a cumprir as ordens do dono, para passar a uma nova fase da sua suína existência em que mostrou especiais aptidões: o arrojado número do salto da bola na poça de água.
No pequeno circo montado à beira do Sado e mesmo perante a ausência do simpático público, o porco tentou até á exaustão que a bola saltasse em poças de água escolhidas à lupa: mirabolantes e fantasiosas habilidades de porco, como se viu.
Tudo em vão, porém, mas o porco sabia-o bem: é apenas porco, não é burro.

Dias mais tarde, ainda inebriado pelo gozo e pela notoriedade que as novas habilidades lhe proporcionaram, o porco reapareceu e desta vez com uma nova gama de grunhidos.
O porco amestrado e agora malabarista acha que aprendeu a grunhir a palavra honestidade.
Sim leram bem, todos lemos bem: o porco falou ou antes tentou grunhir a palavra honestidade.
Como se fosse possível.
Como se um porco, e sobretudo este porco, ainda que dócil e obediente perante o dono, ainda que amestrado, ainda que poupado à carnificina natalícia, conseguisse grunhir e entender conceitos como honestidade.
Como se não fosse apenas um simples porco.
Ainda que artista, ainda que malabarista, ainda que espertalhão, mas nada mais que um simples suíno.

Passado o Natal é de temer, contudo, que o porco inchado e luzidio como nunca, reapareça para mostrar novas habilidades e para uma vez mais rebolar perante o dono, à espera da habitual bolota.


RC

sábado, 22 de dezembro de 2012

DA IMPORTÂNCIA DE NÃO DISCUTIR COM IDIOTAS


Faltam 3 semanas para o Benfica-Porto e há sinais claros de que o Benfica através do seu presidente está a enredar-se num perigoso pingue-pongue de declarações, pequenas tricas e picanços de que fatalmente não lucraremos coisa alguma e que, a não ser imediatamente travado, arrastará o jogo para um clima de guerra suja tão apreciado pelo tipo de gente que domina a norte.
À vez, as figuras ao serviço da pequena nação andrade vão respondendo: Vítor Pereira, o velho senil, agora Helton; Vieira cai na esparrela, riposta e não saímos disto.

Com a quadra natalícia à porta, esperemos que filhoses, rabanadas, bolo-rei e a bacalhauzada da ordem encham estômagos, acalmem espíritos mais irrequietos e ocupem bocas menos contidas.
O Benfica está em primeiro e tudo deverá fazer para receber o Porto nesta condição.
Quando digo tudo, significa isso mesmo: inclusivamente não cair em armadilhas que ainda para mais estão velhas, arcaicas, gastas, surpreendendo apenas o facto de ainda haver quem nelas tropece.

Já aqui o mencionei uma vez e creio que a propósito de uma situação semelhante, mas a velha máxima adequa-se na perfeição: “nunca discutas com um idiota: ele baixa-te ao nível dele e depois vence-te pela experiência”.
Se trocarmos idiotas por corruptos, trapaceiros, yes-men ou simples palermas de ocasião, a máxima continua a ser válida e a verdade nela contida, ainda mais evidente e mais óbvia.


RC

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A PROPÓSITO DE PROFECIAS...




Em época de profecias, asseguro que nesta eu acredito.
E a julgar pelo aspecto dos comensais e pela miséria que vai naquela mesa, será mesmo a última.
Já quanto ao senhor que está no papel de Cristo, eles que o perdoem se quiserem ou se forem a tempo, porque ele não sabe, de facto, o que está ali a fazer.
E já agora, se a ideia é recrear cenas bíblicas, perante o estado em que se encontra a lagartagem, sugiro desde já que se aproveitem estes espécimes para a Arca de Noé.


RC