N

Neste blog por vezes escreve-se segundo a nova ortografia, outras vezes nem por isso.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

SAO OVAS, SENHOR!

Entre a incredulidade e o estupor só reservados às grandes catástrofes, o país desportivo tomou conhecimento dos tumultos ocorridos ontem á noite durante a sessão de esclarecimento aos sócios da agremiação recreativa do Campo Grande, vulgo Sportém.

A comunicação social não perdeu tempo e de forma ignóbil tentou achincalhar o bom nome do clube, falando até do arremesso de ovos contra Daniel Sampaio.

Ovos.
Imagine-se. Que horror!

Meus amigos, as coisas são o que são: mas alguém no seu perfeito juízo acredita que um clube diferente, repleto de aristocratas e gente que ostenta brasões como se fossem tatuagens, se dispunha ao plebeu exercício de arremessar ovos de miseráveis galinhas poedeiras da região centro (por exemplo) contra um dirigente?
Alguém pode conceber que um clube cujo presidente quis mudar o nome ao Joãozinho, por não se coadunar com a linhagem histórica da agremiação, tem membros (os clubes de aristocratas são assim; sócios somos nós, os maltrapilhos…) que em vez dos estatutos ou de propostas válidas para mudar o que está mal, vão munidos de caixas da Zêzerovo com o fim ignóbil de arremessar ovos contra os dirigentes?

Tenhamos todos juízo e por uma vez recusemo-nos a acreditar no que a comunicação social nos está a tentar vender, numa campanha sem precedentes contra um clube diferente, honrado e respeitador das tradições e das boas maneiras.

O Sportém não poderia, nunca, descer tão baixo: as galinhas poedeiras de Ferreira do Zêzere tirem o cavalinho da chuva se pensavam ter publicidade gratuita.
O Sportém é um clube diferente, oriundo dos extractos mais elevados da sociedade, gente que se alimenta de carnes e peixes nobres, na tradição das grandes caçadas e pescarias que, aliás, lhes valeram umas quantas medalhas olímpicas e umas largas centenas de títulos.
Aquela agente não se alimenta de ovos, nem sabe o que isso é; ovos de plebeias galinhas poedeiras é coisa de povo, desenganem-se, pois, os que nisso acreditaram.

A “Travessa do Alqueidão” em rigoroso exclusivo, a bem da verdade e numa vertente de verdadeiro serviço público, revela ao mundo o que foi realmente arremessado contra Daniel Sampaio.






RC

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O CHOCO ARRAÇADO DE PORCO


Por uma vez, concordo com eles.
É uma hedionda e ofensiva jaula que, por exemplo, acolheu milhares de adeptos do grande Celtic de Glasgow que humilhados e ofendidos daquela maneira, cantaram e festejaram o futebol até mais não.

O problema é que, de facto, eles têm carradas de razão: o lugar dos porcos não é em jaulas, mas sim em pocilgas, onde possam chafurdar e rebolar-se no esterco, grunhindo de contentamento.

Lamentamos, mas não há disso na Luz: que imperdoável lapso do Mário Dias!

RC

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

PROGRAMA OCUPACIONAL

É com um irónico agrado que verifico que o Sport Lisboa e Benfica, ou a Liga de Clubes com a conivência do nosso clube, está progressivamente a instaurar um programa ocupacional para desempregados, pensionistas e outros desocupados. São os sinais dos tempos e se olharmos para os números dos ativos desempregados e mesmo para a população inativa provavelmente até faz algum sentido. Só à luz destes pressupostos é que se compreende a marcação, pela segunda vez seguida, de um jogo da equipa B, para um dia de semana às 16 horas. Bem hajam.  

JL

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

VALDO:MAESTRO EM CAMPO E NAS PALAVRAS


Esqueçam o lodo em que permanentemente se atola o futebol português: os jogos adiados à la carte, com a esmerada confecção do chef  Proença; os horários a mando e a bel prazer da Olivedesportos, essa entidade quase divina que põe, dispõe e enriquece, sugando os clubes e secando tudo á volta; a eterna impunidade de corruptos, batoteiros e criminosos; o jornalismo rasca, avençado e sabujo que se deleita com as alarvidades bolsadas por um velho suíno e senil; a miserável submissão e vassalagem que, qual doença contagiosa, ataca misteriosamente os adversários do Porto; a mafiosa teia de cumplicidades entre dirigentes, árbitros e observadores.

Esqueçam, esqueçamos tudo isso e ganhemos 45 minutos das nossas vidas, ouvindo a entrevista de Valdo ao “Zona de Decisão” na Benfica TV.
Profissionalismo, amor a um clube (e claro que não, não é do Benfica desde pequenino…), mística, genuína paixão pelo futebol: a pureza de alguém que, nascido do futebol de rua, cumpriu um destino e um sonho.

Felizes os que viram jogar Valdo com a mais bela camisola do Mundo.
Felizes os que, numa época de frases feitas e banalidades, têm agora a possibilidade de o ouvir falar com paixão, emoção, carinho: do Benfica, do antigo Estádio da Luz, dos companheiros de equipa, do seu amigo Ricardo Gomes e sobretudo de Fernando Chalana, o maior de todos para Valdo.
Palavra de maestro e está tudo dito.

Quando a determinada altura da entrevista diz: “O melhor das vitórias?”
-“Saber que contribuímos para que milhões de pessoas fiquem mais felizes ao menos por uns dias”, percebemos que Valdo foi, é e será para sempre um dos nossos.
Em campo, espalhando talento, classe e magia, mas apenas um de nós.




 RC

domingo, 27 de janeiro de 2013

AS NOSSAS MODALIDADES E OS 700 TÍTULOS DOS OUTROS


O Voleibol foi hoje eliminado em Guimarães. Sinceramente não sei o que escrever sobre esta equipa. Não se pode ganhar sempre e as duas últimas taças eram nossas, mas com os investimentos que fizemos e a diferença para as restantes equipas, ser eliminado à segunda eliminatória é anedótico. Há e tal, o azar, lesões dos distribuidores. Já chega. O se passa? É preciso ir benzer o balneário? Se não for um sinal para sermos finalmente campeões, tem que muita coisa mudar no final da época.  
No basquetebol mais um caneco. Vencemos a Taça Hugo dos Santos, que para uns é da liga para outros nem tanto. Nesta modalidade a diferença ainda é maior que no Voleibol. No mínimo é vencer tudo. No hóquei em patins depois da nossa vitória de ontem ao Ac. Espinho por 16 -1, o FCP hoje tropeçou na linha. Tivesse sido outro resultado no clássico e estávamos a sorrir de orelha a orelha.
No andebol, parece que vamos iniciar a primeira faze em igualdade pontual com os andrades, teremos então uma segunda oportunidade. Como no futsal, está visto que a final vai ser com os lagartos e mesmo sem a vantagem de jogar em casa, teremos oportunidade de rectificar o mau campeonato que andamos a fazer.  
Mudando um pouco de assunto. O rapaz da foto, nesta página de jornal, edição da última sexta-feira, chama-se Ricardo Tomás e é o responsável pelas modalidades do Sporting. Porque me lembrei dele hoje? Por um pormenor a sua entrevista. Esta tirada: “posso recordar, então, que a época 2010/ 11 e 2011/ 12, somadas as duas épocas, o sporting conquistou 700 títulos”.
700 Títulos? Onde? Nas modalidades referidas nos primeiros parágrafos apenas vemos o Sporting nos lugares cimeiros no futsal, que por acaso não ganhou nada no ano passado. Nas restantes, ou andam atrás ou nem sequer se vêm. No atletismo já só ganham um ou dois títulos por ano, no futebol é bom nem falar. Sobram os tiro ao arco e à bala desta vida, de pistola e carabina e coisas do género.
Todavia, mesma contando com essas modalidades de vão de escada, uma média anual de 350 títulos é muita fruta. Tenho a certeza que o Sporting não compete em 350 provas, nem metade disso. Sabemos do habitual revisionismo histórico, de como contabilizam, por exemplo, as vitórias do Joaquim Agostinho em França onde participava por uma equipa francesa ou as medalhas de Armando Marques quando era atleta do Clube Português de Tiro a Chumbo.
Neste caso, talvez contabilizem os sócios que conseguem terminar a meia maratona de Lisboa ou a corrida do tejo, mas tenho dúvidas que haja uma centena com as quotas em dia. Outra hipótese são os campeonatos de sueca e belga nos núcleos sportinguistas. Talvez seja por aí.

Se pedissem a este rapaz que enumerasse vinte títulos nacionais do clube nas duas últimas duas épocas, ele teria grandes dificuldades em nomear dez. Mas 700, ninguém coloca em causa um número destes. É assim, a maior potência nacional em aldrabice. Ops, também não chegam lá, não me lembrei do FCP.


JL

A HISTÓRIA DOS FRANGOS

A distracção relativa à utilização pelo FCP dos 3 jogadores da equipa B no jogo da taça da liga é um sinal de como a estrutura poderá estar a apodrecer por dentro. Era inevitável. O velho está efectivamente cada vez mais velho e não há mal que sempre dure. Apesar de, como é expectável neste nosso país, ainda vir a ser descoberto de algum atalho na lei que permita anular regras que são claríssimas, o FCP ficou irreversivelmente mal na fotografia.  
Estou em crer que sem ganharem nada nas seis edições, a prova será de tal forma desvalorizada que terá problemas de sobrevivência. Uma prova em que o Benfica sempre que a venceu teve de jogar, pelo menos, um clássico, sendo por isso muito mais meritória a nível competitivo que qualquer supertaça.  
A história dos frangos de Setúbal é igualmente exemplar. Não sei se deveu a outra distracção ou foi apenas reflexo da imensa impunidade que gozam, mas o facto de surgirem no autocarro do FCP uma quantidade considerável de frangos assados antes de Pedro Proença ter declarado que o jogo não se disputaria por falta de condições do relvado é de um pormenor no mínimo delicioso.
Não devem ter sido poucos, são vinte jogadores convocados, mais equipa técnica, dirigentes, médicos, roupeiros, etc. Mais de duas dezenas de frangos quentinhos e respectivas batatas, assim de repente, encomendados a uma discreta churrasqueira de Setúbal. A que horas foram encomendados? Quem fez o contacto? Uma história tão fácil de investigar, mas que vai ficar silenciada na história do futebol português. 



JL

PODE ALGUÉM SER QUEM NÃO É?

Finalmente, vencemos em Braga. Uma cidade que era sinonimo de festa do futebol, de alegria, de paixão pelo jogo. Agora é sinonimo de ódio, de rancor, onde as palavras ofensivas para os adversários suplantam em muito as palavras de apoio ao clube da terra. É pena seguirem o exemplo errado.  
O Benfica chegou à vitória cedo, com justiça. No intervalo já pouca gente a colocava em causa. No entanto, na segunda parte, Jorge jesus resolveu vestir outro fato à equipa. Uma equipa de contenção, à espera do fim do jogo, a deliciar-se com o resultado conseguido. Exemplar a jogada de Gaitan no início da etapa complementar, ganha a bola junto à sua área, na faixa esquerda, com quase 40 metros livres à sua frente, e em vez de disparar no contra-ataque (ou contragolpe como diz o mestre), deixou-se estar até sofrer a falta.
O Benfica é, de longe, a equipa mais entusiasmante a nível nacional. Ir ver um jogo do Benfica é garante de um excelente espectáculo. Basta ver o número de golos marcados e sofridos. Há quantos jogos não há um zero a zero?  Este é um facto indesmentível, para o bem e para mal.
Talvez seja essa a razão de um relativo insucesso frente a equipas mais fortes. O que falta em pragmatismo sobra em emoção. Tira-se o alvoroço constante, a procura permanente da linha final, as correrias desenfreadas e perde-se o Benfica. Foi o que fez Jesus na segunda parte. Teria corrido bem para qualquer equipa do Mundo, mas no caso do Benfica tivemos a vitória por um fio. O Benfica actual sabe de cor e muito bem o seu papel, mas para fazer outra personagem precisa de mais ensaios.
JL

sábado, 26 de janeiro de 2013

QUASE PERFEITO


Quando não há necessidade de escrever nada.


JL

O RELÓGIO PARADO E O FALSO PAPÃO


Até um relógio parado está certo duas vezes por dia.
Com o devido respeito por um vice-presidente do Benfica democraticamente eleito, esta máxima adequa-se quase na perfeição a Rui Gomes da Silva: umas vezes fala de mais, outras de menos, mas qual relógio parado até ele pode ter o seu momento de glória.
Recentemente, Rui Gomes da Silva acertou em cheio e por duas vezes.
Da primeira, quando ironizou sobre um próximo Sporting-Porto: joga contra quem?
Nada mais certo, atendendo à promiscuidade que por ali vai e que mais tarde ou mais cedo se concretizará na plena e orgulhosa assunção do Sporting como filial lisboeta de um dos clubes mais corruptos da Europa.
Depois e ainda mais certeira, uma frase sobre Jesus: “falta uma coisa: dar a ideia de que vai ganhar e não apenas de que pode ganhar”.
Em cheio!
É definitivamente o ponto fraco do nosso treinador, sobretudo em jogos contra equipas mais fortes: o habitual fanfarrão (embora actualmente bem mais prudente e sensato, registe-se a evolução) dá lugar ao cordato cordeirinho: quem não se lembra, por exemplo, das declarações quase apavoradas a propósito do brutamontes Hulk antes de um tristemente célebre Porto-Benfica?

A ver vamos o que nos reserva o jogo de hoje: mais do que as declarações prudentes de Jesus, interessa-me a atitude da equipa: ou sabe ao que vai e tem de ir preparada para tudo (mas mesmo tudo!) ou ainda não será desta que Jesus ganhará em Braga ao serviço do Benfica.
Acredito, no entanto, num Benfica forte e mandão, humilde mas determinado: chegou a hora das grandes decisões e Jesus sabe-o melhor do que ninguém.

É que era só o que faltava que o submisso Braguinha se transformasse num papão para o Glorioso!

RC

O SUPLENTE TITULAR


Alguém pensaria que Jardel seria neste momento, a meio da época, o jogador do plantel com mais minutos jogados? É verdade, o futebol tem destas coisas. Uns dias é o Luisão indisponível, outros é o Garay, o certo é que esta época o brasileiro que veio do Olhanense tem sido o seguro de vida da nossa defesa. Para além dos 1.936 minutos da primeira liga, que o coloca entre os primeiros, temos de somar os jogos que fez pela equipa B no início da época. Sempre presente, Jardel, cumpriu sempre.
Hoje vamos ter outra vez Jardel. É um dos jogos mais difíceis que o Benfica terá neste campeonato. Pelo adversário, pelo estádio, pelo ambiente habitualmente adverso (manias recentes), pela atmosfera que se criou nestas últimas duas semanas e pelo que representará uma vitória ou uma derrota nesta altura. Por mim ficava mais descansado com o Garay e reconheço que fico sobressaltado cada vez que a bola anda próxima do Jardel. Talvez seja um preconceito injustificado, ou pelo contrário, talvez seja uma visão realista e fundamentada nas lacunas que o brasileiro ainda tem. Contudo, é com Jardel que o Benfica tem ganho e é com este facto que vamos ter de encarar a realidade de logo á noite.    



JL

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

E AGORA? ESCOLHE A PAREDE?

Fernando Oliveira está entre a espada e parede. Agora que ia ter um campeonato tranquilo, gozando dos juros do apoio ao chefe Costa, aparece-lhe um problema destes arranjado pela incompetência do Pereira.  
O presidente do Vitoria de Setúbal deve andar numa angústia daquelas, sente-se como um condenado a caminho da forca. O que fazer? Lá vai respondendo com um simples “vamos ver” às solicitações dos jornalistas mais afoitos. Ainda se fosse com o Benfica, tinha circo de certeza, como aqui.
Pelo sim, pelo não, já avisou o Mota para ter calma e não abrir a boca e seja o que deus quiser. O melhor é ficar encostado à parede e esperar pela espada. Se não fizer nada pode ser que chefe não se zangue.
JL

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

NO CORAÇÃO DO SISTEMA

Muita atenção à reportagem hoje na “A Bola” sobre os observadores dos árbitros. Muito dizem os entrevistados, mas o mais relevante e interessante é o que fica por dizer. Sintomática a lista dos 30 observadores: três da Associação Futebol do Porto, também três de Braga e três de Leiria. De Coimbra são seis. E Lisboa? Apenas um.  
JL

ADEUS ZÉ PICANHA


Os olhos esbugalhados e a boca aberta foram a sua imagem de marca.
Em campo fazia por vezes lembrar um barril em movimento.
Poderoso mas claramente cilíndrico.
Corria, enrolava-se, caía e levantava-se numa cadência certa e adivinhada.
Sempre de olhos arregalados e de boca escancarada, entre o pasmo e a respiração ofegante a que uns quilos aparentemente mal distribuídos talvez não fossem alheios.
Vou ter saudades do “Zé Picanha”.
Trapalhão mas generoso, abnegado mas pouco afortunado, um daqueles gordos simpáticos que todos conhecemos e com quem todos jogamos um dia à bola: um daqueles imprescindíveis que, obviamente, iam parar à baliza.
Aparentemente, o nosso treinador também ele um produto originário do futebol malandro e vivaço da rua, se preparava para castigar o gordo: ao que parece não à baliza, onde seguramente seria menos inábil com os pés que o desajeitado Artur, mas a defesa-esquerdo, talvez para que finalmente tomássemos plena consciência da felicidade de ter Melgarejo.
Bruno César fez bem e pôs-se ao fresco, ou antes, ao quente e lá rumou até à Arábia Saudita onde não lhe faltarão oportunidades para arregalar os olhos de espanto perante temperaturas absurdas mais próprias para beber proibidos chopinhos do que para andar a correr aos repelões atrás de uma bola.
Vou ter saudades do “Zé Picanha”: fez golos importantes, chegou a ser um jogador interessante e sobretudo, representava, por vezes, um curto momento de “non sense” num futebol demasiado marcado pela tensão e pelo excessivo rigor geométrico de movimentos.
Na sua volumetria e formato pouco ortodoxos, Bruno César nunca regateou uma gota de suor: correu, enrolou-se, caiu, levantou-se, chutou a torto e a direito, poucas vezes acertou: nunca deixou de tentar, ao contrário de outros que por lá continuarão a arrastar-se, esbanjando o talento com que a sorte os bafejou, porque a indolência e a preguiça são mais fortes.
Duvido hoje como sempre duvidei que Bruno César seja jogador para o Benfica e para o futebol europeu, mas este cilíndrico e achatado nº 8 ficará, seguramente, para a história do Benfica como um jogador diferente, algo desconcertante até.
Felicidades, “Zé Picanha”!



RC

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

GRUNHO, O MAL DISPOSTO


O Grunho diz que o Matic vai estar em Braga, o Paulo Vinícius vai estar ausente e o Fernando não vai estar no jogo de Setúbal. Numa análise ingénua podemos concluir que estas declarações não fazem sentido nenhum, porque não há relação directa entre os três jogadores. Como ninguém questiona nada neste futebol lusitano, diz-se o que se quer, mesmo quebrando as mais elementares regras de verosimilhança
De resto é a velha e gasta técnica “à porto”, a de condicionar jogadores, que infelizmente resulta mesmo juntando peças que não encaixam. Fizeram-no com o Javi Garcia, começaram este ano com o Maxi e agora tentam com o Matic. Alguém viu, nos últimos jogos, alguma jogada do jogador sérvio que merecesse amoestação? Nada. Mas tal como o Maxi, Matic é um jogador que não tem um substituto ao mesmo nível. Vejam lá se o Grunho se preocupa com o Gaitan que fez várias faltas em Moreira de Cónegos? Ou com o Jardel? Ou com o Enzo Peres?
O Grunho anda desesperado e mal disposto porque a coisa não deve estar assim tão controlada. Algo lhe escapa das mãos e em conjunto com o ódio que o cega, temos uma receita explosiva. Há duas semanas que o homem não pára de falar do Benfica. Até mete dó. Provavelmente o Papa ainda não lhe garantiu que, como no ano passado, o campeonato lhe vai cair no colo.
A incompetência do Grunho é tal que ele próprio não acredita em si. Fosse ele dirigente e não se contratava. Como a ignorância faz o crente, no final da época foi a pé até Fátima agradecer a ajuda divina. Devia ter ido até à Madalena.



JL

QUANDO SER BOM NÃO CHEGA


O treinador actual do nosso andebol é bom treinador. O anterior também o era. Não tenho quaisquer dúvidas. Os resultados é que tardam em aparecer. Uma taça aqui, uma taça da liga acolá, uma supertaça depois. Mas com o investimento feito era expectável o domínio da modalidade. Mas não. FCP tricampeão. Mas o mais curioso é contabilizarmos os ex-jogadores do FCP, campeões pelo FCP, que vieram para a Luz nos últimos 3 anos. Meia equipa.
Por falar em curiosidades, interessante a entrevista de hoje na “A bola” de Aleksander Donner, o nosso último treinador campeão. Nomeadamente quando fala do Benfica, tanto na entrevista, com na caixa em que aborda a questão relacionada com os jovens andebolistas que já não são do Benfica. Nas entrelinhas fica muita coisa explicada e fica claro que não é fácil vencer no andebol da Luz. Por vezes o passado pode explicar o presente ou, como espero, o passado recente. “Alguns jogadores não aguentaram o trabalho que se fez no Benfica, naquela altura. Perceberam que ia substitui-los por mais novos e começaram a revolta no balneário”
Continuo a dizer que o treinador actual é um bom treinador. O que não sei é se para o Benfica chega ser apenas bom. Para já fico contente com o facto de Aleksander Donner “continuar a respeitar o clube que conhece desde menino, na União Soviética”.  

JL

POST ADIADO

Já tinha preparado o título do post, seria “Aimar, há ir e voltar”. A seguir, um textozito sobre um dos melhores jogadores que vi jogar com o manto sagrado. Afinal fica para uma próxima oportunidade. A magia continua na Luz.



JL

domingo, 20 de janeiro de 2013

PARA SI, ERNESTO

Todos os sábados lá está ele, de posse quixotesca no topo da página, uma das últimas do jornal, como se fosse um cartoon humorístico. Ao início parecia-me apenas, e desculpem-me a redundância, um lagarto ridículo, como muitos outros. Mas não, a dimensão demencial dos seus textos ultrapassa em muito a realidade paralela que se vive para os lados do Lumiar. É algo novo, uma mistura de Leni Riefenstahl com Salvador Dali. Perto dele, Said Al-Sahaf, o antigo ministro da propaganda da Sadam Hussein era um menino de escola. Aqui reside o seu encanto.   
Mas há um lado negro nesse encanto que não nos deixa desfrutar na plenitude de tão sedutora prosa semanal. Falo do ódio ao Glorioso, que não raras vezes serve os intentos do primo do norte, este sim, um delinquente perigoso.
Não que fosse de esperar menos de um lagarto encartado, mas o facto, desta mistura explosiva da inveja com a ignorância, resvalar, no caso particular, na ténue fronteira entre o delírio e a mentira manipuladora e contribuir para o branqueamento das acções ilegítimas do sistema que controla o futebol, é algo que nos deve manter atentos.  
Voltando ao mais inofensivo. Para ele o Benfica é só futebol, simplesmente. A sua pequena agremiação sim, símbolo de um eclectismo impar, uma potência na formação, com um associativismo assinável, uma história invejável. Dirão que só os crentes e distraídos engolem tamanha ficção. Mas ele continua, semana após semana. E vir impresso no jornal “A Bola” é como se ficasse escrito na pedra.
Ora, num fim-de-semana em que não jogámos nos seniores e que a equipa B perdeu em casa, teríamos perante nós um inóspito deserto desportivo. Terá sido mesmo assim?
Caro Ernesto, tome então nota se faz favor:
Apenas neste fim-de-semana, e começando pelo futebol, o Benfica está à vossa frente nos juniores e só não é mais líder porque ontem lá arranjaram mais um penalti. Um hábito lagartino espelhado no que se passa na equipa B, com um número pornográfico de penalidades a favor. De uma forma geral, meu caro, somos lideres acompanhados ou sozinhos em todos os escalões.
No hóquei em patins ganhámos ao Viareggio fora e estamos a um pequeno passo dos quartos-de-final da taça dos campeões. Vencemos mais um jogo do campeonato nacional de voleibol e continuámos líderes. No andebol massacrámos o Madeira SAD. No futsal também ganhámos. No basquetebol descansámos, mas seria exaustivo descrever os resultados da formação e dos femininos. Aliás esta dificuldade é extensível a quase todas as modalidades, do râguebi ao ténis de mesa, passando pelo Bilhar e pela pesca desportiva.
No atletismo tornámo-nos campeões nacionais de juniores em pista coberta, em masculinos e femininos. Os primeiros de muitos títulos de 2013. Na ginástica comemorámos 100 anos de actividade ininterrupta, com uma festa no Coliseu dos Recreios. O Benfica tem muita coisa para melhorar. No futebol e nas modalidades. Ainda se faz muita coisa em cima do joelho. Mas não há neste nosso Portugal clube igual.
Pensando melhor, espero meu caro Ernesto nunca venha a aperceber-se de metade desta grandeza. Torná-lo-ia no personagem de Dostoievsky, no “O Sonho de um Homem Ridículo”, que descobrindo a dimensão do seu ridículo fica sem interesse em continuar a viver. Não queremos isso. Faz falta este humor de sábado de manhã. Longa vida para si, Ernesto e tudo o que representa.   


( in anti-benfica)

JL

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

RUMO AO JAMOR

Depois da meia-desilusão de domingo passado, era fundamental a equipa não se deixar abater.
E assim aconteceu: uma boa exibição, uma bela vitória, alguns grandes golos.
Lima esteve imparável e é definitivamente uma grande contratação e uma grande certeza no futebol do Benfica.
Há ali, por vezes, laivos de outro grande jogador brasileiro que deixou saudades na Luz: Isaías.

E pronto, um degrau a menos rumo à tribuna do Jamor, onde já fomos muito felizes e de que temos imensas saudades.




RC

DUAS PEQUENAS COISAS QUE ME TIRAM DO SÉRIO


O Benfica ter jogadores a treinar à parte. O Benfica contratou um jogador há menos de um ano, talvez mesmo há menos de 6 meses. O treinador é o mesmo e não acredito que o tenham ido buscar à revelia de Jorge Jesus. Talvez tenha sido mesmo por sugestão sua. Já foi estranho ter sido dispensado logo após ter chegado porque o Michel não era propriamente um desconhecido que viesse à experiencia. No entanto, o que dá mesmo muito mau aspeto é o jogador estar a treinar-se à parte. Nem sequer com a equipa B. Posso não ter os dados todos, mas que não gosto de ver, não gosto.






De bestial a besta. Maxi Pereira sempre cumpriu com o Benfica, em alguns períodos do ano passado foi o jogador que mais se destacou. Que devia ter um suplente à altura  é consensual, que muitas vezes se aventura demasiado no ataque, descurando os espaços cá atrás também é verdade. Mas até dizer que já não serve, vai uma enorme distância.  

JL




BENFICA-PORTO: OLHANDO PARA DENTRO


Corria o ano de 1977 e Pinto da Costa era um mero aprendiz de feiticeiro.
Pedroto era então o mestre que lhe ensinava tudo sobre árbitros, coacção, guerras psicológicas, batotice.
Era o tempo dos proclamados “roubos de igreja” e em lume brando foi começado a cozinhar o ódio Norte-Sul.
Assim mesmo, porque a ordem não é arbitrária.
Garrido era o Proença de então. Curiosamente, dizia-se sportinguista, tal como Proença apregoa aos ventos o seu benfiquismo.
Sabe-se onde Garrido foi parar, veremos um dia onde Proença irá aterrar.
Tudo isto para dizer que me recordo bem de assistir ao nascimento da Besta e do que se seguiu: incompetentes uns, corruptos e vendidos outros, maus árbitros todos.
Uma dúzia bem aviada de nomes é claramente insuficiente para evocar tanta podridão, tanta batota, tanto nojo acumulado e tanta verdade desportiva atropelada e escarnecida em mais de 30 anos: o omnipresente Garrido, Mário Luís, Fortunato Azevedo, Francisco Silva, Carlos Calheiros, Donato Ramos, José Pratas, Lucilio Batista, Vítor Pereira, Olegário Benquerença, Proença, Xistra, Artur Soares Dias, Cosme Machado.
Com algum esforço de pesquisa, chegaríamos às dezenas mas o post assemelhar-se-ia a uma lista telefónica das antigas e não é esse o objectivo.
A história recente do futebol português dos últimos 30 anos é feita desta e doutra gente: canalhas, escroques, sabujos e um sortido de mafiosos que faria inveja ao bas-fond napolitano.

Tudo isto para dizer que não me parece justo que a propósito do jogo de domingo na Luz, alguns de nós tenhamos caído na tentação de tudo misturar, falando da arbitragem de João Ferreira como se de trabalhinho encomendado de um qualquer Proença ou Fortunato Azevedo se tratasse.
Nada mais errado, pelo menos na minha opinião.

É evidente que nunca deveríamos ter permitido que o Porto se vitimizasse, mas os erros de estratégia comunicacional do Benfica são tão antigos como o domínio de Pinto da Costa sobre o futebol português.
Por cada suposto erro apontado pelos lacaios de serviço em prejuízo do Porto, teríamos também nós 2 ou 3 a apontar: a forma como o maçã-podre distribuiu pancada durante todo o jogo foi sintomática; a forma como João Ferreira se apressou a cortar os últimos livres a favor do Benfica, também.
Adiante, porém.
O que aqui está em causa é que o Benfica não ganhou o jogo porque não o soube ganhar, porque uma vez mais abordou o jogo de forma completamente errada.
Porque uma vez mais entrou estranhamente bloqueado, desconcentrado, sofrendo 2 golos absolutamente imperdoáveis num jogo desta importância.
Pergunto-me se será normal que nos últimos 3 jogos na Luz contra o Porto para o campeonato, antes dos 15 minutos já estejamos a perder.
Pergunto-me se será normal que a nossa equipa apareça sempre mentalmente condicionada contra o Porto, parecendo manietada, apática.
Pergunto-me se será normal que em 3 épocas, os nossos guarda-redes tenham oferecido 3 vistosos brindes aos avançados do Porto, oferecendo avanço de bandeja.

Numa perspectiva mais lata, pergunto-me se sou só eu a achar que há qualquer coisa de errado, quando as nossas várias equipas das diferentes modalidades não conseguem definitivamente encarar o Porto de forma descomplexada: o andebol perdeu recentemente um jogo nos 2 últimos segundos, o hóquei fez o que se viu recentemente no pavilhão da Luz e a equipa de futebol perdeu de forma inglória a possibilidade de deixar o Porto para trás.
Serão eles super-heróis, seres fantásticos, dotados de super-poderes, com 3 cabeças, 8 braços ou 5 pernas?
Serão eles simplesmente melhores que nós?

Não creio. Penso antes que tudo passa por uma questão de concentração competitiva e de, uma vez por todas, encarar estes jogos da forma como eles têm que ser encarados: com seriedade, rigor, profissionalismo, disponibilidade, garra, esperteza, sagacidade e inteligência.
Alguém viu tudo isto posto em campo pela nossa equipa no domingo passado?

É pois, tempo de reflectirmos um pouco, antes de metermos tudo no mesmo saco.
Ao fazê-lo e indo pelo caminho mais fácil, estamos até a atraiçoar o esforço, o brilhantismo, a garra, a verdadeira mística com que algumas equipas nossas derrotaram a Besta em circunstâncias muito mais complicadas: uma final da Taça jogada nas Antas e ganha com um golão de Carlos Manuel contra tudo e contra todos; a tarde mágica de César Brito e companheiros num ambiente de verdadeiro terror; a última Taça de Portugal ganha contra o Porto de Mourinho; mais recentemente a vitória do basquetebol em pleno antro tripeiro.


Há um determinado paradigma que tem de mudar: o Benfica servil, medroso, tremeliquento, hesitante e trapalhão definitivamente tem que dar lugar a um Benfica forte, mandão, orgulhoso, categórico.
Um Benfica que meta o pé, a mão, o stick, a cabeça com mais decisão, garra, força, determinação: em que a nossa vontade de vencer suplante o ódio com que nos honram.

Acabará inexoravelmente nesse preciso dia o domínio da Besta e mesmo todos os Proenças desta vida se tornarão inúteis, indo directamente para o caixote de lixo da história.