domingo, 16 de junho de 2013

CUIDADO COM AS IMITAÇÕES

Há um manto de despotismo que se vai alastrando pelo nosso Clube, ocultado pela indesmentível recuperação financeira e encoberto por alguma estabilidade económica. Só não consegue passar totalmente oculto porque o sucesso desportivo não é tão absoluto como nos foi prometido. Ao contrário do que dizem os cartazes espalhados pelo estádio, há quase uma década, o Benfica não é ainda a maior força desportiva nacional.  
É muito pouco o que nos foi oferecido em dez anos. No futebol e nas modalidades. O preço foi demasiado elevado para quem vê o associativismo como um dos pilares da sociedade, de uma sociedade democrática. Aguentámos eleições estrategicamente antecipadas, estatutos alterados convenientemente, falta de debate e de contraditório, sangria de benfiquista nos comandos do clube. Tudo em nome de um pretenso profissionalismo que nos daria o domínio do desporto nacional.
Esta politica Goebbeliana, essencialmente alicerçada na Benfica TV, tem tido como efeito irreversível o fenecimento lento da nossa identidade. Querem um exemplo? Alguma vez se poderia admitir, mesmo que numa hipótese muito remota, que um personagem chamado Carlos Janela viesse trabalhar para o Benfica? Não está em causa veracidade da notícia, o que para o caso, e considerando exemplos recentes, até é irrelevante. O que é revelador do estado a que chegámos é simplesmente o mero facto de se colocar essa hipótese.
O Benfica não está só em risco de se tornar uma multinacional sem cor, sem alma e sem paixão. Pode ser bem pior. É que, com ou sem o consentimento do presidente, está a ser ocupado por uma gentalha com uma agenda própria, com cores políticas bem determinadas ou lóbis de interesses duvidosos. Isto num clube cujo ADN é a democracia, o pluralismo e a liberdade.
A Assembleia de sexta foi apenas um sinal exterior. Foi um efeito e não uma causa. Porque dentro das paredes do complexo desportivo, por vezes nos seus subterrâneos, longe dos holofotes mediáticos, a mediocridade vai derramando veneno sobre a competência e o verdadeiro benfiquismo.
Vendo a Benfica TV ou lendo A Bola e conhecendo os factos, percebemo-nos como a realidade é dourada por quem se move na sombra. Talvez um dia o Presidente Vieira, absolvido pela ignorância, se aperceba que o seu maior inimigo é o próprio vieirismo que criou. Talvez nesse momento seja tarde demais.
Alguma vez eu pensaria um dia assistir  a um sórdido episódio  de censura no meu Benfica?
Nós os verdadeiros, resta-nos a resistência. E para resistir temos de estar atentos, porque como cantava o Sérgio, o fascismo é como uma minhoca que se infiltra na maçã, por vezes vem em botas cardadas, outras em pezinhos de lã.

JL

1 comentário:

  1. Bom post.
    Patética, aquela assembleia geral.
    Mas quem está do lado da "oposição" tem que ser mais esperto e não podem perder a razão como perderam...

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