N

Neste blog por vezes escreve-se segundo a nova ortografia, outras vezes nem por isso.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

NOS: BOM NEGÓCIO APENAS PARA ELES?


Pelos idos de Julho durante um jantar com apoiantes à sua recandidatura e creio que até mais tarde em pleno período pré-eleitoral, Vieira frisou a necessidade de “clarificar o contrato com a NOS”.

Mais do que fazer comparações sem sentido com o contrato que a mesma entidade assinou com a agremiação do Campo Grande, é exactamente isso que esperamos do presidente: clarificar e esclarecer.


De tudo isto e muito para lá da poeira que cirúrgica e estrategicamente o Record lança para o ar, espero  que o Benfica não tenha sido “enrolado” num negócio lucrativo apenas para ELES, mas sobretudo que uma vez mais não nos tenhamos metido na boca do lobo, perdendo a liberdade e a independência que como, aliás, Vieira bem sabe, tanto nos custou a ganhar.

RC

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A BIPOLARIDADE, DOENÇA INFANTIL DO BENFIQUISMO


Imaginemos que o jogo desta noite em Istambul tinha terminado aos 60 minutos.

Com 3-0 e uma exibição perfeita (seguramente das melhores dos últimos anos), a nação benfiquista viria abaixo com tanta euforia.
Rui Vitória ver-se-ia alcandorado a uma espécie de Bella Guttman do século XXI, os jogadores incensados como dignos sucessores de Eusébio, Torres, Coluna, Simões e José Augusto, a comitiva seria provavelmente recebida em delírio no aeroporto e Cardiff estaria a dois passos independentemente de quem nos surgisse no caminho.

Acontece que os jogos terminam aos 90 minutos mais o respectivo tempo de compensação como, de resto e infelizmente bem sabemos.

Ora, nesses restantes 30 minutos aconteceu de tudo um pouco: o Benfica falhou o 4-0 e a possibilidade de matar o jogo, foi recuando, foi-se encolhendo, sofreu o 1º golo em fora-de-jogo (lamento mas não conheço “ligeiros" fora-de-jogo; ou está ou não está e este estava...), sofreu o 2º numa clamorosa infantilidade de Lindelof e claro sofreria o 3º noutra trapalhada da nossa defesa.

Acresce que as substituições não foram felizes: quem entrou nada trouxe de novo e de positivo à equipa.
Acontece a quem tem de tomar decisões mas claramente é bem mais fácil acertar no Placard depois do jogo.

Pois bem, depois destes 90 minutos em que quase tocamos o céu para quase nos despenharmos no inferno, veja-se o que por aí vai em termos de comentários.

Rui Vitória, o Guttman dos primeiros 60 minutos, não passa afinal de um treinador de 2ª, tacticamente fraquíssimo, sem estofo nem capacidade de gerir o jogo, 
Quanto aos bravos descendentes de Eusébio e Cª, uma desgraça: há  os que não sabem, os que não podem, os que se cansam por tudo e por nada, os que  entraram já cansados ou que não deveriam, sequer, ter entrado. 
Pelo meio há ainda quem peça o afastamento do presidente, um must nestas ocasiões festivas em que a "moca é afiada" para uma bela sessão de bordoada.

Infelizmente, o Benfica também é isto e não, não se trata da paixão excessiva de uma massa associativa exigente a habituada a ganhar.
Trata-se isso sim, de uma bipolaridade absurda e estúpida, enraizada num completo desconhecimento do que é o futebol e num sentimento bem português: a intriga, a ignorância, a maledicência pura.

O Benfica, este Benfica não era seguramente a melhor equipa da Europa nos primeiros 60 minutos como não foi ainda mais seguramente uma equipa de coxos e inúteis, liderada por um incompetente no último terço do jogo.

No curto espaço de 90 minutos fizeram-se coisas muito boas que nos colocaram à porta dos oitavos de final e cometeram-se erros fatais que acabaram por nos penalizar, adiando tudo para a última jornada.
É apenas disso que se trata e não sendo pouco, não creio que seja motivo para de repente tudo e todos questionar, passando uma vez mais do oito para o oitenta ou neste caso, do oitenta para o oito.


RC

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

UMA RESERVA INESGOTÁVEL


Li em algures que os nossos vizinhos do Lumiar têm uma reserva inesgotável. Sempre que pensamos que já vimos tudo, eis que nos conseguem surpreender. A imagem que se segue é da capitã da equipa de futsal feminino do Sporting durante um time out. Vale por mil palavras.
 

JL

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

ÓDIO, APENAS ÓDIO


Pela primeira vez na minha vida vi a Sportingtv.

Qual Inácio, aproveitei um link e espreitei dois, três minutos, não mais que isso do jogo de andebol desta noite.
Inenarrável, só visto.

Locutores aos urros e grunhidos em histeria completa e após um golo do Sporting, uma visão da bancada com o Querido Líder aos murros no ar como se tivesse ganho a Champions no último minuto.

Seja andebol, futsal ou chinquilho, por aquelas bandas o ódio anda no ar.
Tudo isto começa a ultrapassar em muito os limites de uma normal, lógica e histórica rivalidade desportiva.

O ódio está à solta, e, desenfreado já nem se insinua: omnipresente, pressente-se, sente-se, ostenta-se.
É bandeira, fonte de inspiração e toque a reunir. 

Cada golo, cada vitória, cada comunicado, cada escarradela são apenas isso: manifestações de um ódio em estado puro e irracional. Grotesco e animal. 
Mais que nunca, o ódio ao Benfica é o cuspo que os cola. 

Tudo isto só pode acabar mal mas para jé e acima de tudo é uma enorme tristeza termos que partilhar a cidade, a vida, o futebol, o desporto com esta gente.


RC

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A SÍNDROME DA PONTE


Quem tem entre 45 e 50 anos recorda bem o martírio que significava para os então jogadores do Porto atravessar a Ponte D. Luís.
Dizia-se que era aí que o Porto, por melhores equipas que tivesse, começava a perder os jogos, sempre que se deslocava a Lisboa e sobretudo ao Estádio da Luz.
Atravessar a ponte era o inicio da deslocação à Luz e consubstanciava todos os medos e fobias próprios de um clube pequeno e provinciano.

Curiosamente, passados todos estes anos, a “síndrome da ponte” parece ter atingido o Benfica e não há meio de nos vermos livres dela.
Encerrada a era do apito dourado e dos esquemas mafiosos que durante décadas lhe proporcionaram o domínio do futebol, o Porto não passa de um clube moribundo bem à imagem do seu presidente que finge não se aperceber que não passa de um Salazar cuja cadeira se partirá mais tarde ou mais cedo.
Entretanto, o Benfica avançou rumo ao futuro, reconquistando o seu verdadeiro lugar na hierarquia do futebol português.
Temos hoje uma estrutura profissional sem comparação em Portugal, melhores jogadores e melhor treinador.

Pois bem, o bloqueio mental de jogar agora no Dragão como antes nas Antas mantém-se.
Com Rui Vitória agora como com Jesus (e de que maneira!) anteriormente, só para mencionar os últimos treinadores campeões pelo Benfica.

Vejamos o panorama até às 18H de ontem: pese embora uma onda inusitada de lesões, temos uma equipa mais sólida, melhores jogadores, melhor treinador e uma tranquilidade assegurada por 5(!) pontos de avanço sobre o Porto. Sabemos todos que, aconteça o que acontecer, sairemos do Porto em 1º lugar.
A diferença está apenas em saber se aniquilamos o moribundo o se o ressuscitamos.
Pois bem, uma vez mais vemos um Benfica entre o encolhido e o envergonhado que quase se deixa encurralar por um Porto que mesmo jogando no limite, é apenas aquilo.

O Benfica à semelhança de outros Benficas de tantos anos no passado, parece uma equipa algo atarantada: não ousa, não consegue sair a jogar, não consegue seguer controlar o jogo deixando-se quase dominar por uma equipa banal que parece apenas acreditar mais e ser mais rápida.

E é isto: passados todos estes anos e terminada definitivamente uma era, este estranho bloqueio mental mantém-se: o Benfica, este Benfica vai à Allianz Arena e encara o todo-poderoso Bayern nos olhos para depois se encolher perante um qualquer Porto.
O mesmo Benfica que vai a S. Petersburgo meter no bolso a arrogância de Vilas Boas, aflige-se e ataranta-se perante a equipa do rabiscador Nuno Espirito Santo.

Saíram jogadores importantes, faltam jogadores fundamentais?
Tudo verdade mas não creio que com eles as coisas mudassem muito como, de resto, quase sempre aconteceu no passado recente.

Vai sendo tempo do Benfica se libertar deste bloqueio mental, desta espécie de síndrome que mais parece uma sina ou maldição.
A ponte, o raio da ponte é apenas uma passagem para a outra margem e nas Antas, no Dragão ou em qualquer estádio do País, a norte ou a sul há algo que não muda: somos Benfica.


Podemos, evidentemente, perder ou fazer um jogo menos conseguido mas ao entrarmos tolhidos pelo receio, pelo peso da história ou por qualquer outro motivo, estaremos sempre muito mais longe de vencer.


RC