N

Neste blog por vezes escreve-se segundo a nova ortografia, outras vezes nem por isso.


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O RÉU AUSENTE

Escrevia o enorme Carlos Pinhão que em Portugal, as homenagens são sempre contra alguém.

Daí este breve post não pretender ser uma homenagem e muito menos contra alguém.

Nesta casa a vitória e a derrota são exercícios colectivos, não existindo a figura inchada e proeminente do pai da vitória nem a dos enjeitados filhos da derrota.

Há porém uma questão que não deixa de me martelar a cabeça, quer perante os erros defensivos crassos no jogo de ontem que em 8 minutos nos fizeram perder quaisquer aspirações, quer ainda em relação ao número inusitado de golos de bola parada que temos sofrido neste início de época.

Entre títulos, opiniões e comentários de uma imprensa ignorante e mal-intencionada e o habitual frenesim de muitos benfiquistas em rapidamente encontrarem um bode expiatório, o que iria por aí, caso Luisão estivesse a jogar?
Alguém tem dúvidas que nesta altura, o nosso capitão já teria sido linchado publicamente, dado como acabado para o futebol e responsabilizado por cada um dos golos que o Benfica sofreu ontem no San Paolo?


RC

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

QUANDO UM JOGO NÃO É TEU AMIGO, DEVE SER TEU PROFESSOR


Vestido de azul Celta, o Nápoles é uma equipa italiana dos pés à cabeça. Técnica QB, tática do mais evoluído que há e fisicamente irrepreensível. Já o Benfica, que até vinha com vontade, equipou com aqueles calções vermelhos que o afastam da glória como o Carrillo se afasta do jogo. Sim, eu reparei, eram de um vermelho Vigo e não de um branco Leverkusen. E isto faz toda a diferença. Também me pareceu a certa altura ver um rabo de cavalo à Paulo Madeira na cabeça do Lisandro. Pura Ilusão ótica. Aquilo hoje foi uma coisa de apenas 8 minutos. Um desacerto. Um lusco-fusco. Os deuses reconhecem os audazes e sinceramente este plantel e este treinador não mereciam uma tragédia à Galego.  Assim, lá se fez justiça e coisa ficou com melhor aspeto.  Agora é olhar bem para o filme do acidente e pacientemente, com coragem e inteligência, mudar. E só não cito Giuseppe Tomasi di Lampedusa, porque já me chega de italianos por hoje.

JL

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

OTIMISMO PRECISA-SE


Não é só o hóquei em patins, campeão Europeu, com 32 golos sofridos em quatro jogos, três derrotas seguidas, e para já, um troféu a voar, são também as dificuldades dos juniores, a derrota caseira dos iniciados, a crónica secundarização do andebol e a sensação de inferioridade precoce no futsal. Acresce que o insucesso nos campeonatos transatos de basquetebol e voleibol não nos deixa uma boa sensação inicial. Se juntarmos a esta má impressão, a existência de uma série de modalidades que continuam com dificuldades para respeitar os pergaminhos competitivos do clube, como é o caso, por exemplo, do ténis de mesa e do rugby, começamos a pensar que não há uma equivalência direta entre o otimismo económico-financeiro que o responsável financeiro transmitiu esta semana na antena 1 e um eventual otimismo desportivo dos associados que acompanham o clube para além do futebol. Não tencionando colocar em causa o desejado equilíbrio financeiro, nem querendo que o Benfica se lance em loucas aquisições como outros, desejaria um pouco mais de equilíbrio nas várias áreas do clube no que ao otimismo diz respeito. É que pode ser só impressão, mas sou só eu que noto algum desleixo ou excesso de confiança?
JL

sábado, 17 de setembro de 2016

O FUTURO E O PRESENTE



Já muito se falou dos sete sub 23 que entraram de início no último jogo do Benfica. O inédito da situação ganha ainda mais relevância por se tratar de um jogo da Liga dos Campeões. Se juntarmos a esta onda de juventude o facto da nossa equipa B ser a mais jovem de todos os campeonatos nacionais e de inesperadamente estar a iniciar muito bem a época, podemos concluir que o Benfica está a preparar-se, de forma irrepreensível, ao nível dos recursos, para ser competitivo durante muitos e bons anos.    
Olhamos, portanto, para o futuro. Contudo, o futuro é sempre contra nós, pois sempre que olhamos demasiado para o futuro estamos a descurar o presente. Então, temos a chamada pescadinha de rabo na boca. Cegamos perante o presente e perdemos futuro.
Ao invés, os nossos rivais do lado apostam tudo no presente. Nem sempe foi assim. Possivelmente poucas alternativas lhes restavam atualmente se não um grande salto em frente, tentando sobrevoar o precipício, sem cair no abismo. Como chegaram a este ponto? Como aguentaram tantos anos no deserto? Exatamente com a conversa do futuro. Durante anos e anos, a academia, a melhro formação do mundo e arredores, os craques jovens que “despontavam” jogo a jogo em Alvalade, as vendas anuais, justificaram as décadas de insucesso desportivo.
E nós? Como chegámos aqui? A ser tricampeões e a fazer aquisições de jovens promissores, a continuar competitivos e a jogar com sete sub 23? Porque ganhámos o presente. Porque deixámos de ter a ânsia e a urgência de ganhar, o que nos conduz mais facilmente…à vitória.
Nós temos a estratégia correta. Considerando a forma como o negócio do futebol se desenvolveu nos últimos anos só a aposta em jogadores jovens mantém o clube sustentável e competitivo a nível europeu. O talento é caro e só muito precocemente é que podemos aceder a ele.
O desafio é este. Parece contraditório, mas não é. Ganhar o futuro sem perder o presente. Por isso este campeonato é importante. Por essa razão não podemos ficar com as vitórias morais de ter a equipa mais jovem. É música para adormecer. Os três pontos e a liderança da classificação é que são sinónimos de sucesso. O resto só no futuro.   

JL


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

PARA GONÇALO GUEDES E CELIS

Resquícios certamente dos tempos da Inquisição, poucas coisas excitam mais um tuga do que um bom e útil culpado.
O culpado é uma coisa óptima e prática, dando um jeitão que haja pelo menos um sempre disponível para ser imolado ou fustigado no pelourinho da praça ou no Santo Ofício da opinião pública.

Após o golo de Talisca aos 93 minutos, afadigamo-nos todos em descobrir um culpado: alguém que pudéssemos fustigar com escassa piedade, aliviando-nos a tensão daqueles últimos minutos e a frustração pelo improvável e injusto empate.

Dois nomes saltaram de imediato para a mesa do tribunal: Gonçalo Guedes e Celis.

Algures pela blogoesfera benfiquista, um iluminado inquisidor sugeriu mesmo a Celis o regresso imediato à Colômbia, com indicação precisa de horários e voos de ligação.
Enfim, um fartote.

Mais a sério: inacreditável como não temos a menor contemplação em destruir aquilo que mais deveríamos proteger, ou seja, a nossa equipa, os nossos jogadores. O Benfica.
Gonçalo Guedes não podia ter falhado aquele golo aos 85 minutos ?
Pois, estou plenamente convencido que o Gonçalo Guedes com a frescura de 5, 10,15, 20 ou 30 minutos não o falharia mas após 80 minutos de um jogo enorme de luta e entrega em termos físicos e tácticos, tudo se torna mais difícil.

Celis deveria ter sido mais prudente e menos impetuoso ?
De acordo, mas um jogo de Champions aos 93 minutos não é propriamente um ambiente esterilizado e intocado de um laboratório (leia-se treino), ainda para mais para um jogador que entra a frio num jogo, estreando-se também na competição.

Gonçalo Guedes embora jovem, já tem uma vida de Benfica e provas dadas do seu potencial e das suas capacidades.
Celis é um jovem jogador que acabou de chegar e que ao estar ali mereceu, seguramente, a confiança do treinador e do clube.
Tentar destruí-los parece-me no mínimo um exercício de uma enorme estupidez.

Numa equipa mas sobretudo num clube com a história e a tradição do Benfica, sucessos e insucessos são de todos.
Bem recentes são os tempos em que tínhamos por ali alguém para ganaciosamente arrecadar os sucessos e para, de forma pronta e altruísta endossar as derrotas.

No Benfica actual não me parece que seja esse o espirito.

Quanto a Guedes e a Celis, continuam a contar com a nossa confiança e em breve se redimirão, contribuindo para novos sucessos e outras conquistas.

RC


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

À VOLTA DE UMA NOITE EUROPEIA

Para lá da injustiça e da infelicidade de uma equipa brava mas inevitavelmente imatura, para além, muito além das declarações parvas de um moleque ingrato que se houver vergonha, amor-próprio e respeito pela nossa história, não mais vestirá a mítica camisola do Benfica, fica-me na retina as bancadas meio-vestidas (ou meio-despidas?) na Luz, um sector inteiro fechado, a Catedral longe muito longe das suas históricas noites de gala.

É isto o benfiquismo dos dias que correm: sócios e adeptos que exigem este mundo e o outro mas faltam quando a ausência deveria ser proibida.

Gente que desconhece ou não quer sequer saber que “noite europeia” era sinónimo de enchente, da presença de uma multidão vibrante, frenética, quase irracional na paixão pelo clube, construindo assim as mais belas páginas da sua história.

Foi assim, dizem-me, nos anos 60, foi assim, pude depois confirmar nos anos 70 e 80.

Desenganem-se, porém, os que pensam que o mito das noites europeias se construiu apenas com vitórias como os 6-0 em 1962 ao Nuremberga, os 5-1 em 1972 ao Feyenoord ou a noite no final dos anos 80 em que Vata enlouqueceu 120.000.

A história europeia do Benfica fez-se também de derrotas e eliminações absolutamente míticas, algumas delas dramáticas até: a eliminação por moeda ao ar perante o Celtic, as célebres eliminatórias com o Ajax, a noite em que Ian Rush destruiu a Luz, ou até uma vitória amarga perante um cinzento Carl Zeiss Jena que nos custou a presença na final da saudosa Taça das Taças.

Outros tempos: antes de tudo exigir a quem comanda o clube, os sócios e adeptos sabiam que aquelas noites de gala eram a essência da história e do mito do Benfica.

Verdadeiramente era naquelas noites de romaria em direcção à Luz que o Benfica se cumpria; o Inferno da Luz não era uma invenção folclórica de uma comunicação social alucinada ou subserviente: era apenas o Benfica.

Hoje, tudo é diferente: o benfiquismo exarcebado aparece ciclicamente no estádio quando faltam 5 ou 6 jornadas para o fim e cheira a festa.

A Champions é para ver de traseiro sentado no sofá no remanso do lar, pagando sem protestar a mensalidade à Sportv; se aparecer um dos tubarões do futebol europeu, então sim, enche o estádio e faz-se a festa, gritando à Europa do futebol o que é o Benfica e o inferno da Luz.

Sem querer dar lições de benfiquismo a quem quer que seja, seria bom que muitos dos sócios repensassem o Benfica que pretendem: se apenas o Benfiquinha para consumo interno, vítima da constante guerrilha invejosa e ressabiada de adversários menores, ou o verdadeiro Benfica, disposto a honrar uma gloriosa caminhada europeia iniciada num mágico fim de tarde no Jamor.

Enquanto não nos decidimos sobre o que queremos para o nosso clube, fica claro para mim como certamente para os outros 42.125 que lá estiveram ontem, que vamos à Luz para e pelo  Benfica; que o jogo seja da fase de grupos ou das meias-finais, que o adversário se chame Ludogorets, Linfield, Besiktas, Real Madrid ou Bayern de Munique é apenas um pequeno detalhe.    



RC


sábado, 10 de setembro de 2016

RAFA

Sempre gostei de jogadores assim: sem necessidade dos pomposamente chamados “períodos de adaptação”; chegam, veem e…jogam.

Recordam-se de Lima?
Também ele uma aquisição que suscitou algumas dúvidas e reticências, rapidamente as dissipou com a mais simples das receitas: futebol e golos.

Rafa tem tudo para ser um caso sério no futebol do Benfica e hoje com apenas um ou dois treinos, jogou, fez jogar e por duas vezes poderia ter resolvido o jogo.

Concordo, pois, com Vieira: mesmo por 18 ou 20 milhões seria uma excelente aquisição.

Ou muito me engano ou Rafa vai valer cada cêntimo gasto na sua aquisição.
Ou muito me engano e daqui a poucas semanas, a equipa do Benfica será Jonas, Rafa e mais nove.


RC

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A MUDANÇA

Mesmo perante uma defesa dizimada ou um quarteto de avançados simultaneamente no estaleiro, não há lamúrias, lamentações, desculpas parvas, invenções e adaptações idiotas e sem nexo.

Perante o infortúnio, procuram-se oportunidades e novas soluções, mostrando ao plantel que todos contam e que uma equipa é muito mais do que um núcleo imóvel de quinze ou dezasseis jogadores habitualmente presentes nas convocatórias.

É este o Benfica de Rui Vitória que da equipa B faz saltar jovens jogadores, sem o recurso a dramas de faca e alguidar ou manhosos truques de charlatão.

José Gomes pode apenas ser o próximo, tal como na época passada Ederson conquistou a baliza, Lindelof a defesa e o menino Renato assumiu com alegria, garra e um futebol do outro mundo, o comando de uma equipa rumo a um título tão merecido quanto inesquecível.

Pode não ser este este Benfica o tal rolo compressor, que joga no limite e numa espécie de voragem do tudo ou nada.
Adiante, porém: a vertigem ganha jogos; a serenidade, o planeamento e a convicção ganham campeonatos.

Se perante tudo isto, há ainda quem duvide de que o paradigma mudou mesmo, não sei o que será necessário para provar que uma era foi definitivamente encerrada e que algo de novo está a crescer no futebol do Benfica.

RC



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

BENFICA LÍDER INCONTESTÁVEL


O Benfica é TOP a nível mundial em vários itens. Na organização, na competitividade, na amassa associativa, etc. Mas onde é líder incontestável, sem concorrência à altura, é nas lesões. Ultimamente temos sempre, no mínimo, um onze na enfermaria. Quem disse que o plantel era demasiado? Pelo sim, pelo não, o melhor é não descartarem já o Taarabt.
JL

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

NEM O SABEM FAZER


É a segunda parte da entrevista de fundo ao mestre da tática, e este, pela segunda vez, destaca …o Benfica. Podia pensar-se que o clube que atualmente lhe paga o chorudo ordenado, devido à sua pequena dimensão, não consegue apagar da memória do treinador o gigante que teve a oportunidade de treinar recentemente.  Porém, há coincidências que são reveladoras logo à partida. Não é que no mesmo dia em que o treinador do Sporting resolveu falar do Capitão do Benfica, O Jogo também traz à baila o mesmo assunto?  Aqui está a estratégia do trinca-bolotas em todo o seu esplendor. Como no ano passado. Tentativa de destabilização constante. Convém é organizarem-se melhor. A ida muito depressa ao pote pode ser denunciadora e estragar o estratagema. Contudo, já deviam ter aprendido que se a estratégia é mesma, há fortes possibilidades de dar o mesmo resultado.


JL

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

UMA DIETA DE PESO


Plantel fechado, pelo menos até dezembro. Comparando o onze mais utilizado na época passada e aquele que tem jogado oficialmente, descortinamos algumas trocas directas. A maior parte por necessidade e não por opção de Vitória. Contudo, devemos refletir. Temos o Lisandro por Jardel, Semedo por Almeida, Grimaldi por Eliseu, Horta por Renato, Cervi ou Sálvio por Gaitan. Se excetuarmos o último exemplo, estamos mais tecnicistas, mas com menos força e menor peso. Talvez este facto explique a falta de controlo do jogo em alguns momentos nas quatro partidas oficiais realizadas. O Benfica ganhou três delas com margem, mas em todas permitiu largos períodos de superioridade territorial ao adversário.  

O Benfica tem no plantel quatro jogadores com peso de meio campo: Fejsa, Samaris, Celis e Danilo. Jogar a maior parte das vezes com dois deles em campo permitiria libertar um quarteto de características mais ofensivas. Neste caso, reconheço que ousadamente, proponho encostar o Pizzi. Dois extremos a apoiar os dois pontas-de-lança, neste momento Salvio, Cervi estão em melhores condições mas Carrillo e Zivkovic vão crescer certamente. Quanto a Rafa, tenho para mim que é um excelente projeto de redundância ao quase insubstituível Jonas.

JL

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

À VOLTA DO JOGO NO CAMPO GRANDE

Façamos um exercício de especulação pura: num qualquer jogo do campeonato (já nem falo de um clássico), o Benfica vencia com 2 golos obtidos em condições duvidosas (isto para usar um eufemismo), para além de alguns lances que envolviam o uso indevido dos cotovelos por parte dos nossos jogadores.

Cairia certamente o Carmo e a Trindade: escrevinhadores e comentadores arregimentados, jornalistas sérios e imparciais até ao tutano, treinadores adversários, roupeiros, massagistas, fisioterapeutas e curandeiros, todos viriam clamar contra o roubo, a afronta, o colinho.

A Norte, ainda que nada a tivesse a ver com o assunto, o moribundo fingiria que estava vivo e lançaria mais umas farpas com a "habitual ironia".
No Campo Grande, a vara agitar-se-ia entre comunicados e abundante diarreia verbal.
Nas televisões, rádios e imprensa escrita, o assunto abriria telejornais, primeiras páginas, fóruns de opinião, indignações várias.

Pois bem, foi desta forma que o Sporting despachou o Porto e tirando algumas envergonhadas criticas em tom de sussurro por parte do principal lesado, o treinador do Porto, esse tal do “Somos Porto!”, a coisa passou por entre os elogios do costume á exibição do Sporting.
É isto a propaganda: a criação de um mito para que depois  tudo se torne justificável;  o Sportém “joga o melhor futebol do campeonato”, pelo que se marca golos e ganha jogos recorrendo a falanginhas, falangetas ou cotovelos, é tudo absolutamente normal, tendo mesmo algo de justiça divina ou coisa que o valha.

Ao contrário, o Benfica faz durante 75 minutos uma exibição absolutamente lamentável contra o Vitória de Setúbal (e fez, digamo-lo sem reservas nem pruridos…), pelo que não tem qualquer legitimidade para protestar contra os desmandos de um árbitro incompetente ou talvez competente de mais…

É isto que está em causa e era bom que toda a estrutura do Benfica, treinador e jogadores incluídos, acordassem definitivamente para o problema.
Perante o que já se viu e o que se adivinha estar para vir, distrações e atitudes como a que tivemos perante o Vitória de Setúbal, não são sequer admissíveis.

Este vai ser o campeonato mais duro de todos quanto disputamos nos últimos anos, porque pode marcar definitivamente uma hegemonia duradoura do Benfica no futebol português e ao mesmo tempo a queda definitiva do moribundo a Norte, bem como o estrondoso trambolhão do charlatão do Campo Grande.

Sabem-no bem eles e por isso começaram a trabalhar ainda antes do minuto zero.

Seria óptimo que sobre isto ninguém se distraísse no Benfica: que se encare cada jogo como uma verdadeira batalha, sem hesitações nem pausas, com realismo mas muita determinação.

Veremos se chega, face ao que aí vem, mas pelo menos faremos a nossa obrigação.

RC

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

UM DÉRBI NO RIO




Durante anos um clube gostava de se confundir, ou confundir-nos, com as representações olímpicas do País. Talvez por falta de melhor em outras áreas, talvez pelo facto do Comité Olímpico ter sido comandado durante tempo demasiado, e por sinal com péssimos resultados, por um seu associado e membro do conselho leonino. Seja lá qual for a principal razão, o facto é que se orgulham de medalhas de gente que nem sabe onde fica Portugal, já para não falar daquela famosa de Armando Marques no Tiro em 76, apesar do atleta à época representar o Clube Português de Tiro a Chumbo, contabilizam como do Sporting apenas por ser adepto.

Porém, na situação atual já parece difícil contornar as evidências. Nas últimas três olimpíadas, ou seja, nestes 12 anos, o Benfica consegue 3 medalhas, contra uma (e coletiva) do Sporting. Os 3 medalhados do Glorioso, Telma Monteiro, Nélson Évora e Vanessa Fernandes, são atletas com passado, presente e futuro no clube, inseridos num projeto que já dura há mais de uma década. Não foram, como outros fazem agora, contratações avulsas e sem critério apenas para fazer número. Aqui está a explicação para a circunstancia do número de atletas que viajaram para o Rio de Janeiro ter fciado ligeiramente desequilibrado para um dos lados.

Mas falemos de resultados. Para quem anunciou com pompa e circunstancias, em conferência de imprensa, a grande comitiva, e mesmo tendo em consideração a desastrosa participação portuguesa na gneralidade, não deixam de ser risíveis. Façamos o exercício de comparar os resultados do desempenho dos atletas dos dois clubes. As conclusões ficam com cada um de nós.

Os 20 portugueses do Benfica: Telma Monteiro (3º Lugar), Célio Dias (17º Lugar), Nuno Saraiva (17º Lugar), João Pereira (5º Lugar), João Silva (35º Lugar), Miguel Arraiolos (44º Lugar), Teresa Portela (11º Lugar), João Ribeiro (4º e 6º Lugares), Vanessa Fernandes (suplente), Dulce Félix (16º Lugar), Susana Costa (9º Lugar), Marta Pen (36º Lugar), Carla Salomé Rocha (26º Lugar), Nelson Évora (6º Lugar), Tsanko Arnaudov (29º Lugar), Rui Pedro Silva (123º Lugar), Ricardo Ribas (desistiu), Sérgio Vieira (53º Lugar), Pedro Ísidro (31º Lugar), Miguel Carvalho (35º Lugar).

Os 22 portugueses do Sporting de Lisboa e respetivas classificações: Patrícia Mamona (6º Lugar) Lorene Bazolo (1ª Eliminatória), Cátia Azevedo (1ª Eliminatória) Marta Onofre (26º Lugar) Vera Barbosa (1ª Eliminatória), João Vieira (31º Lugar), Leonor Tavares (33º Lugar), João Vieira (desistiu), Jéssica Augusto (desistiu), Sara Moreira (desistiu), Emanuel Silva (4º e 6º Lugares), Francisca Laia (8º Lugar na Final B) Ricardo Esgaio (6º Lugar) Carlos Mané (6º Lugar), Diogo Abreu (16º Lugar) Joana Ramos (Eliminada), Sergiu Oleinic (Eliminado), Jorge Fonseca (Eliminado), Alexis Santos (12º e 14º Lugares), Gastão Elias (Eliminado), João Costa ( 11º Lugar)

JL
 

domingo, 21 de agosto de 2016

UMA OPORTUNIDADE E UM AVISO


Esta pode ser uma oportunidade para Rui Vitoria fazer mudanças na equipa. Como é óbvio, a vitória por 3-0 na final a supertaça e de 2-0 em Tondela recomendava um escalonamento da equipa conservadora e sem grandes alterações. Foi isso que o treinador seguiu. Contudo, há lesionados a voltar, há aquisições a experimentar. Ederson, Jardel, Samaris, André Almeida, Eliseu, Danilo, Zivkovic, Raul, por diversas razões, ainda não se estrearam a titulares. E hoje houve jogadores que, no mínimo, mostraram, pouca intensidade.

E é também um aviso. Não há vídeo-árbitro que salve uma arbitragem destas. Perdemos a conta das faltas marcadas ao contrário, jogadas travadas e a vista grossa a faltas perigosas a favor do Benfica. Os quatro minutos de compensação no final, tal como os dois ao intervalo demonstraram bem ao que vinha. E é muito estranho a vinda deste árbitro neste momento à Luz e após a deplorável exibição da última vez que cá tinha estado.

JL

FUTSAL FAROESTE


O Futsal em Portugal está cada vez mais transformado num circo. Decidiu-se ainda na época passada que as equipas tinham que ter, pelo menos, sete elementos formados localmente na ficha de jogo e que só podiam só poderiam jogar cinco estrangeiros. O Sporting de Lisboa, com dinheiro vindo de não sei de onde, contratou oito estrangeiros. Não é que a alguns dias do início da época a FPF faz tábua rasa do que foi acordado e decidido anteriormente?

Mas se acham que isto é anedótico, vejam a situação do Bruno Coelho. O jogador foi suspenso pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol duas horas antes do último jogo da final do Campeonato passado. Castigo que nem sabe bem porquê, basta ver as imagens dos dirigentes do Lumiar perante a equipa da arbitragem. Aliás, há dois anos atitudes ainda mais graves dos mesmos dirigentes originaram 15 dias de suspensão a cumprir nas férias.

Não é que agora, depois de ano passado ter sido impedido de jogar pelos representantes da federação que estavam no pavilhão, a FPF vem agora dizer que o castigo tem de ser cumprido na supertaça? Incrível. Vale tudo.



JL

domingo, 14 de agosto de 2016

UM EXERCÍCIO


O Benfica está diferente e a forma como decorreu este primeiro jogo é demonstrativo dessa realidade. O Tondela, a manter o mesmo ritmo e a mesma agressividade e determinação, corre o risco de criar a outros, muitos amargos de boca durante este campeonato. O Benfica geriu bem as suas próprias debilidades e soube empregar no momento certo os seus pontos fortes.  Há que destacar dois aspetos que não devem ser desprezados: Seis jogadores do onze que entrou têm menos de 22 anos e encarámos esta primeira jornada com um número considerável de lesionados na enfermaria do clube, o que já vem sendo habitual.

A este propósito proponho o seguinte exercício: excluindo os que entraram de inicio tentem escalonar um onze de cada um dos três candidatos ao título apenas com os sobrantes.  Aqui vai o do Benfica: Ederson, André Almeida, Jardel, Lisandro, Eliseu, Samaris, Danilo, Sálvio, Carrillo, Jonas e Raul. Esta bem podia ser a equipa titular. E os outros? Têm assim tantos titulares?

JL

sábado, 6 de agosto de 2016

SUPERCLUBE


Amanhã em Aveiro o Benfica disputa a supertaça de futebol. É primeira de dez. As outras: Andebol Masculino, Hóquei em Patins Masculino e Feminino, Ténis de Mesa Masculino, Basquetebol Masculino, Voleibol Masculino, Râguebi Feminino, Futsal Masculino e Feminino. Um ecletismo único.

JL

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

BASQUETEBOL – RESUMO 2015/2016 E EXPECTATIVAS PARA 2016/2017

Para finalizar o resumo das principais modalidades de pavilhão do Sport Lisboa e Benfica ficou para o fim o basquetebol, a principal desilusão da época. E não apenas por causa dos resultados!

A época acabou da pior forma possível mas foi apenas a consequência do que se passou durante o ano. A contratação da "estrela" ex-NBA Cook e um plantel constituído com excesso de confiança revelaram-se apostas totalmente erradas (a segunda mais grave, na minha opinião). A começar por chegarem apenas 2 estrangeiros, Cook e Wilson, ficando deste modo com menos soluções interiores. Verdade seja dita que se percebeu o erro e se foi buscar um poste croata, Radic, embora depois se tenha emprestado Cláudio Fonseca. Ou seja, voltou a falta de soluções para o jogo interior. E nem quando os nossos maiores rivais se reforçaram a meio da época se reforçou a equipa quando tão necessário era. Ficámos a ver e quem fica a ver perde.

Mas na minha opinião o fracasso da época passada está todo ligado à contratação de Cook. Há muitos jogadores com feitios difíceis ou manias ou como lhe quisermos chamar. Mas eu nunca vi nada como este jogador americano. Ele pura e simplesmente vivia num mundo à parte em relação ao resto da equipa. Não defendia, não corria, não ouvia o que o treinador lhe dizia, não se aplicava nos treinos (e nem ligava ao treinador nem restante equipa técnica). Jogava quando lhe apetecia, corria quando lhe apetecia, lançava quando lhe apetecia. Jogava a maioria das vezes, a passo.

Compreendo que seja complicado gerir atletas que estão no mundo aparte em relação à realidade do nosso basquetebol, mas nisto tenho que criticar o treinador pois ao "perdoar" o mau profissionalismo deste atleta em relação aos outros acabou por perder o grupo. Foram incontáveis as vezes em que alguns jogadores quando substituídos vinham a protestar com o treinador, algo que não acontecia no início da época mas foi crescendo com o decorrer da mesma.

Por fim, a falta de soluções tácticas a partir do meio da época. O nosso jogo era previsível e quem nos defendesse bem só tinha que esperar que os triplos não entrassem. Mas em relação a isto já referi que o treinador perdeu o grupo e não sei até que ponto o discurso entrava na cabeça de alguns jogadores. De qualquer das formas a equipa técnica será sempre a principal responsável por esta época que considero um ano completamente desastroso.
Em relação ao basquetebol não vou fazer destaques pela positiva e negativa, pois todo o meu texto acima são os destaques pela negativa, e pela positiva a única coisa foi mesmo termos conquistado a Taça de Portugal. Isto porque… calhou!




Previsão da época 2016/2017
Antes de mais e por saber que é um assunto em que estou em discordância com a maioria dos restantes sócios, digo desde já que concordo com a manutenção do treinador. Por ser quem é, uma figura lendária do nosso basquetebol, mas principalmente porque o que conquistou nos últimos anos lhe deu na minha opinião, margem para continuar ao comando da equipa. Acho que esta época a equipa técnica tem um grande teste para provar que está à altura das necessidades do Clube.

Em relação ao plantel optou-se praticamente por uma revolução na equipa. Faz todo o sentido em acordo com o que escrevi antes. Teremos para já:

Base: Derek Ravio, Mário Fernandes, Tomás Barroso, Aljaz Slutej

Em relação à posição de primeiro-base ou base organizador temos a saída do agora ex-capitão Carreira que na verdade já não contava muito, e a entrada do norte-americano Derek Ravio. Pelas ligas onde jogou parece ser sem dúvida uma mais-valia, embora aparentemente seja um base mais concretizador que organizador. Ficarei à espera de perceber as suas valências defensivas e a sua qualidade para organizar o jogo. Acho esta posição a mais importante no basquetebol e claramente a equipa precisava de um base um nível acima do Mário e Tomás, pelo que acho que era necessário um reforço neste sector. Espero que o tenhamos encontrado, embora ache que a capacidade defensiva e de organização ofensiva fossem as mais importantes.

Em relação ao promissor jovem Aljaz que vem brilhando na equipa B penso que apesar de teoricamente fazer parte do plantel não contará muito a menos que haja uma lesão num dos outros jogadores referidos.

Base-extremo: Lace Dunn, Nuno Oliveira e Sérgio Silva

Para a posição de segundo base ou base atirador optou-se pelo regresso de um jogador que nos impressionou pela positiva na sua anterior passagem por cá. Lace Dunn na época que passou na Luz provou ser jogador a mais para o nosso basquetebol e pese embora não ser um Jobey Thomas parece-me que é um verdadeiro reforço desde que a forma física e motivação estejam inalteradas.

Em relação a Nuno Oliveira considero que fez uma primeira época positiva tendo em conta a nova realidade. Num plantel que se pretende mais equilibrado e com um espirito mais colectivo parece-me que tem capacidade para melhorar.

Já sobre o jovem marcador de pontos Sérgio Silva tenho a mesma opinião que sobre o jovem Aljaz.

Extremo: Carlos Andrade, João Soares e Velkjo Stanjkovic

Carlos Andrade e João Soares continuam como os extremos da equipa. Será certamente a última época de Andrade e Soares deverá consolidar-se como o principal jogador da equipa na posição 3, ele que foi dos poucos que conseguiu estar bem no final da época passada mostrando vontade e inconformismo. Dada a versatilidade de alguns jogadores a equipa poderá jogar com 3 bases ou 3 extremos/postes pelo que não será uma posição exclusiva destes dois jogadores.
Extremo-poste: Damian Hollis, Marko Loncovic e Nicolas dos Santos

Para a posição 4 com a saída de Wilson chegam dois reforços sendo teoricamente o principal Damian Hollis, embora este me pareça da pouca informação que retirei mais "small forward" que "power forward". Esperemos que tenha a qualidade desejada para dar um nível extra à equipa.

Em relação ao Marko e depois de uma época em que ficou completamente aquém das expectativas esperemos que se possa mostrar mais pois é impossível ter desaprendido de jogar. Também me parece que precisa de um estilo de jogo colectivo para poder sobressair, algo que não aconteceu a época passada. Esperemos que não aconteça o mesmo nesta.

Sobre Nicolas dos Santos, um jogador com passaporte português que desconhecia por completo, será um verdadeiro extremo-poste. Forte fisicamente vem teoricamente acrescentar peso e tamanho no ressalto. Contando como português parece-me que será uma mais-valia, embora seja mais um caso de esperar para ver.
Poste: Raven Barber e Ricardo Monteiro

Para o lugar de Radic chega Raven Barber, um jogador que fez um bom ano em Ovar. Não tenho grande opinião sobre ele e apenas vi os jogos da Ovarense quando se deslocou à Luz mas não me parece que seja melhor que Radic. E dado que a opção Ricardo Monteiro é (à semelhança de Aljaz, Sérgio e Velkjo) por enquanto apenas um jovem promissor, parece-me que ficamos claramente com um jogo interior abaixo do nível exigido. Face a isto ainda compreendo menos a saída de Cláudio Fonseca pois embora não fosse um jogador que me agradasse muito sempre era uma solução nacional e com uma qualidade acima da média.

Resumindo em relação à próxima época teremos um verdadeiro teste à equipa técnica que tem a responsabilidade de reerguer uma equipa de basquetebol que se quer dominadora depois de uma época terrível principalmente ao nível exibicional. Para isso contou com uma revolução no plantel, algo que eu compreendo e até concordo, embora me pareça que o plantel mais uma vez estará desequilibrado. Com várias soluções exteriores e não tantas interiores esperemos que os jogadores norte-americanos sejam jogadores que façam a diferença. Já se sabe que dado o nível do nosso basquetebol a qualidade dos jogadores americanos é preponderante para o sucesso da época.

Portanto este ano não há desculpas, queremos todos mais e melhor tanto a nível exibicional como de títulos


Eddie

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A MANIPULAÇÃO DA MORTE


Que esta gente não tem escrúpulos é sabido.

Que esta gente não olha a meios (quaisquer que eles sejam) para atingir os fins, faz parte da história recente do nosso desporto.

Que dominam a arte intoxicante e suja da propaganda, da manipulação e da auto-promoção, não subsistem quaisquer dúvidas.
Insinuam-se permanentemente com a sua omnipresença, vomitando opiniões e lugares comuns com pretensões a grandes tiradas.

Tudo isto a propósito da morte do Prof. Moniz Pereira, figura respeitável e unanimemente respeitada no desporto nacional.

Seria lógico que a comunicação social se afadigasse na recolha de opiniões de quem com ele privou: atletas, dirigentes, colegas de profissão, gente ligada ao atletismo de uma forma geral ou até ao fado, outras das suas grandes paixões.

Nada disso bastou, porém, a uma comunicação social que se esmera em prestar serviços e fazer recados, preenchendo diligentemente e apedido a agenda desta gente, intoxicando-nos: criando gigantes a partir de meros anões.

E foi assim que Bruno de Carvalho passou sucessivamente em horário nobre e em directo pelos 3 canais informativos da televisão portuguesa, para além da honra de um depoimento escrito no “Expresso”.

Sim, falo de Bruno de Carvalho, esse incomparável e histórico dirigente do desporto português que lidou décadas a fio com o Prof Moniz Pereira e que, portanto, muito terá que partilhar connosco sobre esta grande figura do atletismo português.

O grave de tudo isto não é haver quem manipule ou tente manipular.

Preocupante é a existência de uma comunicação social rasteira e sabuja que hoje não passa de uma correia de transmissão ao serviço desta gente, dos seus interesses e da divulgação da sua imagem até á exaustão.

Os objectivos, esses, conhecemo-los nós.


RC