Insonsa ou morna a Assembleia
Geral do Sport Lisboa e Benfica desta noite. Nem o insucesso momentâneo
justifica revoluções, nem a glória recente legitima a indiferença. Há sempre
quem veja as mais belas vestes num rei nu, como também há quem olhe para uma
bela floresta e só veja lenha para queimar.
Desta noite retenho uma
associação de adeptos benfiquistas surpreendentemente activa e pertinente e uma
serie de questões colocadas por alguns (poucos) sócios que ficaram sem resposta.
O vice falou várias vezes e o Presidente Vieira fechou a AG. Tiveram tempo e
espaço e nada explicaram sobre a situação crítica do râguebi, a falta de assistências
nos pavilhões, o insucesso de algumas modalidades onde se investiu muito, o
abandono de outras, a posição do clube sobre o circo da Liga, o silêncio
perante o roubo europeu, entre outras questões menores, mas que juntas erguem
um muro entre a elite dirigente e a massa associativa.
Uma Assembleia pacífica,
demasiado pacífica para um clube do tamanho do Benfica. Um clube desta grandeza
tem de ter um espaço para os sócios falarem abertamente, sem medo, e para Direcção
ouvir, explicar e decidir com critério. São tantas as dimensões que o Benfica
engloba que não cabem numa apresentação em PowerPoint, sucedendo-se dois dedos
de conversa para cumprir calendário. Antes da TV ou dos jornais dos amigos, é
na Assembleia que o presidente deve em primeiro lugar dar os sinais da sua
estratégia. Hoje, repetiu uma mão cheia de nada.
Faz hoje 67 anos que Cosme Damião
nos deixou. Por vezes sinto que este é o clube que ele sonhou, outras vezes nem
por isso.
JL
