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Neste blog por vezes escreve-se segundo a nova ortografia, outras vezes nem por isso.


quinta-feira, 12 de junho de 2014

A PAZ REINA EM CASA



Insonsa ou morna a Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica desta noite. Nem o insucesso momentâneo justifica revoluções, nem a glória recente legitima a indiferença. Há sempre quem veja as mais belas vestes num rei nu, como também há quem olhe para uma bela floresta e só veja lenha para queimar. 

Desta noite retenho uma associação de adeptos benfiquistas surpreendentemente activa e pertinente e uma serie de questões colocadas por alguns (poucos) sócios que ficaram sem resposta. O vice falou várias vezes e o Presidente Vieira fechou a AG. Tiveram tempo e espaço e nada explicaram sobre a situação crítica do râguebi, a falta de assistências nos pavilhões, o insucesso de algumas modalidades onde se investiu muito, o abandono de outras, a posição do clube sobre o circo da Liga, o silêncio perante o roubo europeu, entre outras questões menores, mas que juntas erguem um muro entre a elite dirigente e a massa associativa. 

Uma Assembleia pacífica, demasiado pacífica para um clube do tamanho do Benfica. Um clube desta grandeza tem de ter um espaço para os sócios falarem abertamente, sem medo, e para Direcção ouvir, explicar e decidir com critério. São tantas as dimensões que o Benfica engloba que não cabem numa apresentação em PowerPoint, sucedendo-se dois dedos de conversa para cumprir calendário. Antes da TV ou dos jornais dos amigos, é na Assembleia que o presidente deve em primeiro lugar dar os sinais da sua estratégia. Hoje, repetiu uma mão cheia de nada. 

Faz hoje 67 anos que Cosme Damião nos deixou. Por vezes sinto que este é o clube que ele sonhou, outras vezes nem por isso. 

JL

terça-feira, 10 de junho de 2014

PIADA INFINITA



Ainda não tive tempo, nem coragem, para ler a conhecida obra de David Foster Wallace, mas lembrei-me logo do seu título com as últimas notícias sobre as eleições da liga de clubes de futebol. Nem na Africa mais profunda, nem na mais caricata América Latina se assiste a um processo tão anedótico. Este Figueiredo está a fazer uma tangente à genialidade. 

Como isto vai acabar? Quem vai tirar benefícios? Como vão ser as provas da próxima época? Tudo muito português, tudo muito “caso N´Dinga”. O mais engraçado é que não se trata de uma colectividade recreativa com centenas de associados, em que os mais assíduos se preocupam mais com o trunfo da sueca do que com o futuro do clube. Trata-se de uma corporação com poucas dezenas de empresas, algumas sociedades anónimas, que movimentam milhões anualmente. Desmedidamente isto tem muita graça. 

JL

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A NOSSA JOIA MAIS VALIOSA



Andamos preocupados com as capas dos jornais? A mulher do Garay fecha as contas do cabeleireiro em Lisboa? O Enzo manda procurar casa em Valência? O empresário do Cardozo tenta pela enésima vez transferi-lo? O Gaitan já nem tenta, mas deve andar com cabeça pelas terras de Putin. Siqueira já é passado e o Sílvio ainda não nos pertence. Fejsa tem longa estadia garantida no estaleiro. Até os putos da “B” já têm mercado. Preocupado? Estava se mexessem no nosso mais importante jogador: Oblak. 

Imaginem esta saída. A procura desesperada de um substituto à altura. Pior ainda, o regresso do Artur como titular indiscutível. O karma em pessoa. O denominador comum no espaço temporal compreendido entre a primeira e a quinta época do Jesus.  Estávamos feitos. 

JL

domingo, 8 de junho de 2014

MAIS UMA TAÇA



Será que algo está mudar no desporto em Portugal? O Benfica venceu a Taça de Portugal de Hóquei em Patins por 8-3 ao FCPorto.  E ganha contra uma forma de estar no desporto que no mínimo é nojenta. A ameaça constante, a violência gratuita quando as coisas não correm bem, a procura da confusão para tirar benefício. São anos disto. Os agentes desportivos nacionais estão a perder o medo? Quero acreditar que sim. Hoje foi uma grande vitória. 

JL

terça-feira, 3 de junho de 2014

SAUDADES DO FUTEBOL, COMO ELE DEVE SER



Dias tormentosos aproximam-se. Tudo o que mexe com alguma classe estará prestes a sair do plantel. E todos os dias há pessoal novo com as malas feitas para a Luz. Nada disto é novo. É tradição antiga. Iremos para estágio com trinta jogadores à experiência e desses iniciaremos o campeonato com metade. Em paralelo vamos ter aquisições até à terceira ou quarta jornada. Nessa altura vamos ver um dos imprescindíveis craques a viajar para Rússia. Vão entrar muitos milhões, mas até a bola rolar a sério vão ser dias muito difíceis. Com um ruido de fundo insuportável, a selecionite aguda. 

JL

domingo, 1 de junho de 2014

FUTSAL: COMO DESTRUIR UMA EQUIPA





O que mais aborrece, entristece e faz pensar é que a derrota de hoje perante o Fundão nem sequer é inesperada.

Com efeito, o que aconteceu hoje na Luz é apenas o culminar de um arrastado processo de destruição de uma equipa que há 4 anos, apenas 4 , foi “tão-somente” campeã da Europa.
Se um dia alguém se propuser escrever um manual sobre como destruir uma equipa, pode seguramente recorrer ao magnífico exemplo oferecido pelo futsal do Benfica.
Desde 2010 que o Benfica parece apenas preocupado em dar cabo de tudo quanto foi construído até lá.
Assim, sem mas nem menos.

Sei que a passagem dos anos é inexorável e que não há jogadores eternos, mas continua a ser um mistério a forma atabalhoada e apressada com que foram despachados jogadores emblemáticos como o capitão Pedro Costa ou como Arnaldo, primeiro e César Paulo ou Davi depois.
Há uns tempos, após a última e também estranha saída, Ricardinho pôs o dedo na ferida, mas toda a gente fingiu não perceber o que o melhor jogador do mundo queria dizer.

Isto, claro, para não falar da saída de André Lima: alguém até hoje consegue explicar ou entender?

Daí para cá, o futsal do Benfica entrou num processo lento mas irreversível de auto-destruição.
Pontualmente fomos ganhando, mas sentia-se que era um domínio sofrido e que não assentava em nada de sólido e consistente.

Com a saída de Paulo Fernandes e a chegada de João Pinto (outro processo mal explicado, sem lógica nem coerência…), o futsal do Benfica bateu no fundo.
João Pinto será uma óptima pessoa, não duvido, talvez mesmo um bom profissional e poderei estar a ser injusto, mas não me parece que tenha capacidade de liderança e carisma para, sequer, escolher equipas de jogos de rua como os que fazíamos nos nossos tempos de meninos.

João Pinto é um enorme equívoco: o homem errado, no momento errado e no sitio ainda mais errado.
A equipa não me deixa mentir: sem alma, nem ligação, nem qualquer espécie de fio de jogo ou algo que se assemelhe.
Parece, por vezes, uma espécie de grupo excursionista em que cada um joga o que sabe e para mal dos nossos pecados e do Benfica, alguns não sabem muito.

Não bastará, no entanto a saída de João Pinto: é solução demasiado simplista e redutora.
Há que ir mais longe e tentar perceber tudo o que de mau foi feito ao longo deste últimos 4 anos, que pelos efeitos produzidos mais parecem, de facto, 4 séculos.
Uma equipa foi destruída e que pelo menos se criem bases sólidas para um projecto de futuro que nos possa devolver as alegrias que já vivemos.

Mais do que injectar dinheiro para cima do problema, tentação demasiado fácil  e a que o Benfica por vezes recorre, que haja a lucidez suficiente para que no Benfica alguém pare para definitivamente repensar o futsal.
Se assim acontecer, hoje perdemos apenas o acesso à final, mas poderemos ter ganho o futuro.

Para finalizar: um abraço a Bruno Coelho e votos de rápidas melhoras.

Um jogador à Benfica e para mim a única nota francamente positiva deste 2 últimos anos.


RC