N

Neste blog por vezes escreve-se segundo a nova ortografia, outras vezes nem por isso.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A COR DA CEREJA




Ainda o sistema enrilhava a teia e o Benfica iniciava o seu longo calvário de insucessos desportivos, o clube chegou a um acordo de patrocino inovador com a Parmalat. O Porto e essencialmente o Sporting fizerem um barulho tal que a empresa teve dificuldades em ter o sucesso esperado no mercado nacional. Acabou por o conseguir montando um cavalo de troia na UCAL.

Mais recentemente o Benfica conseguiu o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos para a construção do seu centro de estágio. Segundo notícias da época a coisa custou sensivelmente 15 milhões. Os verdes encheram os jornais sobre a legitimidade do apoio de um banco estatal a um clube. Ainda recordo o cirurgião bebedolas a espumar pela boca. 

Ontem o Diário Económico informou que no âmbito do memorando, a troika destinou 12.000 milhões de euros para o Estado português emprestar à banca. Desta linha de financiamento, o Estado emprestou, até agora, 3.000 milhões de euros ao BCP. 

No dia anterior soube-se que o Sporting e o Millennium bcp estão a estudar, no âmbito da reestruturação financeira aprovada, a troca de créditos por investimento em publicidade do banco. Qualquer coisa como 15 milhões. 

Sabemos que o valor do espaço publicitário tem descido consideravelmente. Por 15 milhões e sem estar a fazer favor nenhum, bem que os lagartos podem equipar à Millennium. 




JL

AS RUÍNAS DA FARMÁCIA FRANCO


Em mais de 40 anos a acompanhar futebol, já vi um pouco de tudo quando as vitórias acontecem: dedicatórias ao pai, à mãe, à mulher e aos filhos, a uma tia da província, à boazona de mini-saia que se senta atrás do banco de suplentes, aos adeptos em geral, a um grupo específico em particular, à direcção, ao presidente.
Tudo normal, portanto, descontados os normais exageros provocados pela embriaguez da vitória, qualquer que ela seja.

Acontece que os tempos que o Benfica vive, são tudo menos normais.
O clube vive bloqueado numa espécie de depressão pós-Maio, esse mesmo: o mês de todos os horrores.

No Benfica actual só estamos de acordo quanto a uma coisa: de facto, ninguém se entende.
O Benfica tornou-se um clube de gente zangada e amarga, incapaz de romper com o passado recente: todos continuamos zangados com algo, com alguém ou até com o mundo todo.

Só à luz desta estranha forma de vida que de repente tomou conta de nós, se percebem as insólitas reacções de uma franja da massa adepta às palavras de Luisão após a difícil e pouco brilhante vitória no Estoril.

Que um capitão de equipa dedique algumas palavras ao presidente, parece-me perfeitamente normal: sempre o foi e daí não veio, nunca, mal ao mundo.
Que dedique uma vitória (que, aliás, seria completamente insignificante, não fosse o contexto…) ao homem que mal ou bem tudo tem para que nada falte à equipa (condições de trabalho, salários a tempo e horas, enfim, esses pequenos pormenores…), parece-me acima de tudo um acto de solidariedade num momento difícil.

Não o entenderam assim, alguns de nós: sinais dos tempos que vivemos e de uma estranha lógica de confronto e crispação da qual só o Benfica não terá nada a ganhar.

Perante tudo isto, cada vez mais me convenço que Cosme Damião foi, de facto, um homem admirável e corajoso que se propôs a uma tarefa hercúlea e irrepetível: hoje ninguém se entenderia sequer em relação ao local da reunião, quanto mais para fundar um clube.
E se porventura se chegasse a um acordo, não me restam grandes dúvidas: da Farmácia Franco não ficaria pedra sobre pedra.


RC










quarta-feira, 9 de outubro de 2013

AS VERDADEIRAS INTENÇÕES



Nesta história do Ivan Cavaleiro, que leva a reboque o Cancelo, tenho a certeza de duas coisas, que cada vez que se fala numa possível passagem do jogador para a equipa A, mais distante está de o acontecer e que quem insiste neste tema está mais preocupado em criar mais um caso no Benfica do que com o futuro do jogador. 

Ivan cavaleiro evoluiu muito na última época e até pode vir a ser um grande jogador, mas é ainda muito inconstante, desaparecendo em longos períodos do jogo. O Cancelo é ainda pior. Tem um talento imenso, poderá vir a ser o futuro defesa direito da selecção, mas tem tanto, tanto a aprender ainda, que até aflige. Defende mal, agarra-se à bola quando não deve, estraga jogadas em barda. Por vezes, nem na equipa B devia ser titular. 

Com o exército de extremos e laterais que temos, quase todos eles com um valor de mercado elevadíssimo e depois do aconteceu com o Miguel Rosa, só se o Jesus batesse com a cabeça iria colocar estes jogadores em campo. E acho muito bem. Deixei-nos fazer minutos na B e para a próxima época logo se vê.   

JL

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

ANIMAL FARM ? NÃO, É MESMO O TRIUNFO DOS PORCOS!

Até há uns anos, pensar-se-ia que uma cena destas só seria possível numa qualquer República das Bananas da América do Sul governada há décadas por um caudilho ou numa qualquer cleptocracia africana dominada por uma elite de distintos ladrões.

Se ainda necessário fosse, confirma-se hoje que tudo é, afinal, possível, algures na parte mais ocidental da Ibéria, num pequeno país(???) supostamente europeu, onde supostamente vigora um estado de direito e onde o poder judicial seria também supostamente imparcial, livre e justo.

Num país que todos os dias se consegue afundar um pouco mais, esta fotografia é paradigmática do estado a que chegamos.

Hoje, Portugal é isto.



RC

domingo, 6 de outubro de 2013

ALGUM TALENTO, ATÉ PARA SER RIDÍCULO



Há talento no Benfica. É certo que parte dele está na enfermaria, mas há. Mas também há uma inexplicável inclinação para a vertigem do sofrimento. Um masoquismo refinado que se abate sobre a equipa, de um momento para o outro. Não se marca em cima do intervalo, o que nos daria o descanso, num raro penalti assinalado a nosso favor. Na segunda parte, depois de um espectacular golo do Cardozo a equipa em vez de cavalgar o momento, sofre um golo ridículo de canto, curiosamente parecido com o sofrido em Paris. Com a agravante que existe uma diferença abismal entre o Zlatan Ibrahimovic e o Balboa. 

E foi desta forma que o Benfica com um jogador a mais termina o jogo como em Guimarães. Em sofrimento. De facto, ainda não ganhámos ainda um jogo à vontade esta época. A equipa quer, tenta, mas não consegue. Qual falta de capacidade física? São aquelas cabecinhas que não andam nada bem. É o resultado de uma grande pré-época. 

Por fim, dizer que começa a roçar o caricato as transmissões da Sport TV. Nem com o Carlos Manuel como comentador. A manipulação é tanta que faria corar de vergonha o Ceausescu. Dos comentários às repetições, torna-se penoso ver futebol neste canal. Mesmo de forma gratuita na net.  

JL

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O CIRCO



Ontem jejuei em relação ao futebol.
Da promenade parisiense deste triste Benfica, bastaram-me 10 minutos para ver o que se passava e o resto que se adivinhava.
Do resto da jornada europeia, não quis saber: olhos que não veem, coração que não sente.
Vozes amigas deram-me , entretanto, conta de uma portentosa exibição de Roberto na vitória do Olimpiakos em Bruxelas: defesas impossíveis e mais um penalty defendido ( o 2º em duas jornadas de Champions).

É oficial: o Benfica está de novo na fase do circo azarado: se comprássemos um anão, ele crescia.

RC

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A GAITANIZAÇÃO



Ao contrário de muitos, o resultado do sorteio não me deixou nada optimista. Dizer que queremos estar na Luz em maio, na final, quando a nível interno não conseguimos ganhar um jogo de forma categórica é tão fantasioso que só pode ser dito a brincar. Assim, pensei que a luta seria a três e que por isso corríamos o risco de ficar de fora. 

Confesso que esperava muito mais do Anderlecht, mas pelo que vi na Luz e pelo resultado de hoje, já vi que esperava demais. De resto, continuo a não ter dúvidas que o Benfica vai passar dificuldades na Grécia. Quanto aos franceses, são de outro campeonato. Sempre o soube. Por isso o resultado é o menos mau do que se passou hoje no parc des princes. 

Verdadeiramente mau é a forma como jogámos, ou melhor, como jogamos. A primeira parte o PSG parecia o Barcelona na Luz na época passada. Passeou de tal forma que à meia hora de jogo já só me lembrava de Vigo. O alívio que sentimos no final diz tudo sobre a confiança que a equipa transmite.  

A equipa tem medo. Tem medo de existir como equipa. Feridos do desastre do final da época passada, pegaram na equipa e em vez de curativos, repouso ou tratamento, despistaram-se com a ambulância. 

Vejam o exemplo dos laterais, de um lado ou do outro, podem chamar-se Almeida, Pereira ou Cortez, mesmo Siqueira ou Sílvio, nunca vi uma equipa a ser apanhada tanta vez em contrapé. As laterais do Benfica são uma via rápida sem portagem. Qualquer equipazeca se apercebe disso, quanto mais o milionário PSG.  
  
Os jogadores jogam distantes uns dos outros, não fazem bloco, atrapalham-se, chocam, enganam-se vezes sem conta. Nunca parece haver soluções atacantes. Contra o Benfica as defesas contrárias parecem ser de betão. A defender esquecem-se das marcações com uma frequência anormal, fica meia equipa para trás no contragolpe. As bolas paradas são uma lástima.  

Os três golos do PSG são um exemplo absoluto de tudo o que disse atrás.  Uma jogada simples em que meia equipa está solta, uma segunda vaga com os nossos parados a ver jogar, um canto simples para o sítio certo. Nada disto foi estratosférico, não houve nenhuma jogada genial. Tudo simples. 

Se me perguntarem quem simboliza o futebol actual do Benfica, eu diria sem me engasgar Nico Gaitan. Um jogador com uma capacidade imensa, mas com uma falta de sentido prático aflitivo. Durante um jogo é capaz de um passe genial, um corte incrível, mas na contabilidade final do que produziu o resultado é zero. Assim está o Benfica. Existe uma profunda Gaitanização não só do nosso futebol mas de todo o clube.

O futebol é uma indústria feita de pessoas para pessoas. As equipas são feitas de homens. De um grupo de homens. A construção civil é uma indústria diferente. Quando investimos nuns bons estores temos uns bons estores, quando equipamos uma cozinha com os melhores electrodomésticos ficamos com uma excelente cozinha. As pessoas são diferentes, não são como o cimento, nem a areia. Mesmo com as quantidades certas, por vezes a mistura não resulta.     

Se excluirmos o futebol Luís Filipe Vieira foi dos melhores presidentes que por cá tivemos. O problema é que, até estatutariamente, o futebol é a principal a actividade do clube, está nos estatutos. E o que vemos é um clube a duas velocidades. Ao enorme crescimento social e estrutural contrapõe-se um futebol enredado num labirinto de enganos.  

A equipa está cansada, os sócios estão cansados e até Jesus está cansado. Desde o final da época passada que não conseguimos viver uns com os outros. Somos uma família em depressão. Ou sou só eu que que acho inaceitável estarem apenas trinta mil pessoas na Luz num jogo da Liga dos campeões? 

A renovação com Jesus não foi uma cartada arriscada, foi uma machadada no próprio pé com toda a força e demostrou de forma inequívoca que existe uma política de desresponsabilização no clube. Politica que alastra por vários departamentos, que vai desde o marketing, à comunicação, às seções e ao futebol. Politica que acaba por estragar as boas ideias, a estratégias que até estão corretas, o investimento. 

Falhar no Benfica deixou de ser problema. Escrever no facebook sempre com erros ortográficos não é grave, faltar constantemente água quente nas piscinas é normal, receber pilhas de reclamações pela forma como são geridas a natação, a ginástica e as artes maciais são pormenores, a falta de respeito pelos sócios que estão sempre presentes são minudências, os falhanços repetidos de várias modalidades apesar do investimento, como é o caso do andebol, nada têm ver com o responsáveis, são meros acasos.    
   
Pois é, como afirma o presidente, temos de olhar para floresta. Se calhar é de tanto olharmos de longe para a floresta que não vemos as arvores a apodrecer. 

Voltando ao futebol, nesta altura da época, até nem faz muito sentido colocar em causa a continuidade do treinador. A milionária cláusula de rescisão e o tumulto que provocaria na equipa seria contraproducente. Vamos ver o que se salva e preparar condignamente 2014/15. E esperar uma de duas coisas: ou que o presidente se liberte do Vieirismo ou que surjam alternativas credíveis, muito diferentes do que tem aparecido. Porque isto de um presidente estar a exercer há mais de uma década não faz parte do ADN do Benfica.   

JL