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Neste blog por vezes escreve-se segundo a nova ortografia, outras vezes nem por isso.


terça-feira, 28 de agosto de 2012

AINDA O MELGAREJO


Num ponto concordo com o Jorge Jesus, o Melgarejo pode dar um bom defesa-esquerdo (ou lateral-esquerdo, se quiserem). É rápido, sabe pressionar, joga bem de cabeça e é tecnicamente evoluído. Vindo de trás e bem articulado com o extremo é muito difícil de bater. Por fim, ajusta-se bem à forma de jogar do Benfica de Jesus, dois laterais subidos com o trinco a fazer de terceiro central.  Se chegará perto do nível de um Coentrão, o tempo do dirá. Até lá fará bons e maus jogos e como diz Jesus oito semanas é muito pouco. Contudo, para o bem de todos nós espero que, nem que seja com a ajuda divina, a coisa resulte.
Mas o problema não está no simples facto do Melgarejo estar a ser adaptado a defesa-esquerdo. Provavelmente se assim não fosse até era dispensado/emprestado e seria outro Urreta ou outro Jara desta vida. Vendo a questão de forma isolada até é benéfico para o jogador, porque aumenta a sua polivalência e consequentemente  aumenta as soluções disponíveis no plantel.
A este propósito os jogos da pré-época deveriam servir para avalizar duas coisas: concluir se o outro defesa-esquerdo do plantel (Luisinho) serve (do pouco que jogou não comprometeu) e/ou se o esforço que se vai fazer de adaptação do Melga vale a pena. Chegando à segunda jornada do campeonato temos um Luisinho pouco rodado, um Melgarejo com o peso de uma responsabilidade que não devia ter e um desfilar de nomes nos jornais. Parece-me a mim que neste particular a pré-época não serviu os seus propósitos.  
Outro aspecto a recordar quando se faz a comparação com o Coentrão é que este foi progressivamente se tornando no defesa-esquerdo do Benfica, quando o titular era o César Peixoto. Apesar de contestado, o facto de ser ele o titular deixava margem para o Coentrão evoluir e errar. Neste caso o Melgarejo está numa situação oposta. É ele o titular escolhido pelo treinador e este facto faz toda a diferença ao nível da pressão mediática.
A questão fulcral é que o Benfica (e Jesus) precisa de ganhar um campeonato imediatamente e como manda o bom senso qualquer factor que implique mais risco deve ser eliminado, minimizado ou substituído por uma situação mais segura.
E é neste ponto que entra minha discordância com a gestão do plantel. Com a capacidade financeira que o Benfica já demonstrou, há necessidade de andar a arriscar pontos com estas adaptações? Nos anos 60 ou 70 se não ganhássemos um ano o título, certamente ganharíamos nos seguintes, infelizmente já estamos longe dessa realidade.   


 
JL

4 comentários:

  1. Pois o buzilis da questão é esse mesmo. Melgarejo, não tenho dùvidas é um belissimo jogador e se for queimado é um autêntico crime. Ao mesmo tempo o Benfica não pode efectivamente arriscar-se a perder pontos em tentativas sem nexo. 5 ou 6 pontos perdidos por falta de defesa esquerdo de raíz pode ser mais do que suficiente para perder outro campeonato e depois entraremos em questões desneccessária se o teríamos perdido na mesma com o Melgarejo.

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  2. E se o Melgarejo sobreviver vai ser uma mais valia para o próximo ano! Imaginem só: regressa o Nelson Oliveira, o Urreta, O David Simão, sobe o Miguel Rosa, o Ivan Cavaleiro, continua o Miguel Victor, temos o Salvio, o Artur, ...... e o JJ a ver na TV!

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  3. ter o Melgarejo (10 golos do paços) e ir buscar o olá john. gestão danosa?

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  4. Tratando-se de opções,desde que justificadas e lógicas, poderemos concordar ou discordar, mas o treinador é soberano: é pago para isso e tem legitimidade para tal.
    A questão é quando tudo isto não tem ponta por onde se pegue em termos de coerência e lógica de gestão, de recursos financeiros ou humanos.
    É esse o problema de Jesus.

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